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Rio 2016

Comitês olímpicos serão cobrados por 11 mortes em obras para realização dos Jogos

Depois das 14 mortes ocorridas em obras que antecederam a Copa de 2014, federação internacional alertou COI e COB sobre riscos e fez propostas para garantir mais segurança, mas não obteve respostas
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 27/07/2016 18h16, última modificação 27/07/2016 19h52
Depois das 14 mortes ocorridas em obras que antecederam a Copa de 2014, federação internacional alertou COI e COB sobre riscos e fez propostas para garantir mais segurança, mas não obteve respostas
Rafael Andrade/Folhapress
riobras

Atuação de várias empresas executando serviços distintos aumenta o risco nos canteiros de obras, diz entidade

São Paulo – A Federação Internacional de Trabalhadores da Construção e da Madeira (ICM), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza amanhã (28), em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro, homenagem aos 11 trabalhadores que morreram em acidentes durante obras para a Olimpíada. “É preciso dar visibilidade a um lado dos Jogos Olímpicos que fica oculto. Muitos trabalharam para que o evento fosse possível. E, infelizmente, alguns morreram”, disse o representante regional da ICM para América Latina e Caribe, Nilton Freitas.

No evento, será apresentada uma carta cobrando o Comitê Olímpico Internacional e ao Comitê Olímpico Brasileiro para que assumam a responsabilidade por essas mortes e se comprometam a implementar normas para a gestão eficiente da segurança. “Ocorreram 14 mortes nas obras que antecederam a Copa do Mundo de 2014. Naquele momento, percebemos que a maior parte dos acidentes ocorre no final do processo. Então, apresentamos um Protocolo de Segurança e Saúde no Trabalho às autoridades responsáveis pela Olimpíada. Infelizmente não tivemos retorno”, disse Freitas.

Segundo Freitas, as fases finais das obras são as que apresentam mais risco de acidentes graves ou fatais, por conta da pressa para conclusão e da realização de trabalhos simultâneos, às vezes por empresas diferentes. “A pressão do mandatário ou do dono do empreendimento pode levar ao abandono de algumas regras importantes de segurança. Quando empresas diferentes atuam no mesmo empreendimento, muitas vezes com cultura e regras diferentes de segurança, os trabalhadores são expostos a situações de insegurança maior do que as que quaisquer obra já impõem”, explicou.

A ICM é uma das organizações que realizam campanhas pela implementação da convenção pelo trabalho decente (181) da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A convenção trata do respeito aos direitos no trabalho; de liberdade sindical; da eliminação de todas as formas de trabalho forçado, de trabalho infantil e de todas as formas de discriminação; da promoção do emprego produtivo e de qualidade; da proteção social; e do fortalecimento do diálogo social. O evento será realizado no Centro de Estudos e Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesteh), da Fiocruz, a partir das 11h.