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Sem preconceito

Bancários reivindicam cota para negros nas contratações do setor financeiro

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro propõe que 20% das vagas de trabalho em bancos e financeiras sejam para negros e negras
por Redação RBA publicado 03/05/2016 11h43, última modificação 03/05/2016 12h23
Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro propõe que 20% das vagas de trabalho em bancos e financeiras sejam para negros e negras
reprodução/TVT
negros

Com cotas, negros querem visibilidade no setor bancário e o fim do preconceito

São Paulo – A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) propõe cota de 20% para trabalhadores negros nas contratações. A proposta foi decidida durante o 3º Fórum Nacional pela Visibilidade Negra no Sistema Financeiro, realizado no mês passado, e vai ser apresentado aos banqueiros nas negociações da campanha salarial deste ano.

Segundo dados do IBGE, 53% da população brasileira se declaram negros. Já entre os bancários esse número é de apenas 25%. Entre os que se declaram negros, são apenas 3,4%. A diferença salarial também é marca do setor, com os negros recebendo o equivalente a 87% dos salários dos bancários brancos, mesmo realizando as mesmas funções, de acordo com a Contraf-CUT.

"Se os bancos vão contratar 300 bancários, tem de ter 20% (60 pessoas negras ou pardas)", exemplificou o secretário de combate ao racismo Contraf-CUT, Almir Costa, em entrevista à repórter Michelle Gomes, para o Seu Jornal, da TVT. Ele diz que a discriminação no setor é tão forte que, até em Salvador, a capital mais negra do país, é difícil encontrar trabalhadores negros nas agências bancárias.

Como ocorre nas demais áreas do mercado de trabalho, os negros também sofrem para ascender na carreira. Almir serve de exemplo. Bancário há 32 anos, teve apenas uma promoção.

Segundo a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), entre 2008 e 2014 o número de funcionários negros aumentou 30%. Mesmo assim os negros não representam nem um quarto da categoria formada por cerca de 500 mil trabalhadores em todo o país. Os banqueiros alegam falta de mão de obra qualificada, posição que é rebatida pelos trabalhadores que dizem que, a partir das políticas de cotas nas universidades, é possível encontrar número satisfatório de negros com ensino superior. "Na verdade, não existe o interesse", conclui Almir Costa.

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