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Para tripulantes e aeroviários, paralisação nacional alcança objetivo

Categorias interroperam atividades por duas horas em vários aeroportos do país. Trabalhadores querem melhora da proposta das empresas aéreas
por Redação RBA publicado 03/02/2016 12:49, última modificação 03/02/2016 13:50
Categorias interroperam atividades por duas horas em vários aeroportos do país. Trabalhadores querem melhora da proposta das empresas aéreas
Fentac/CUT / Midia Consulte / Divulgação
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Pilotos e copilotos aderem à mobilização por melhores condições de trabalho nas companhias aéreas

São Paulo – Paralisação nacional durante duas horas, na manhã de hoje (2), atingiu vários aeroportos, incluindo aeroviários (agentes de check-in, auxiliares de serviços gerais, mecânicos de aeronaves, agentes de bagagem e operadores de equipamentos) e aeronautas (pilotos, copilotos, comissários, mecânicos e engenheiros de voo). Segundo a Infraero, de 798 voos previstos entre a meia-noite e as 11h, 306 atrasaram e 138 foram cancelados. Em campanha salarial, os trabalhadores rejeitaram a proposta das empresas aéreas, que previa reajuste parcelado com a reposição da inflação e não retroativo à data-base (1º de dezembro). As categorias reivindicam reajuste de 11% nos salários e demais direitos, retroativo à data-base.

O movimento foi considerado exitoso pelos representantes da categoria. Para o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac-CUT), Sergio Dias, que participou da paralisação no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, a adesão em massa reflete a insatisfação das categorias. “Os trabalhadores na aviação civil estão de parabéns pelo movimento paredista, que mostrou que a unidade na luta é fundamental e reforçou para as empresas que os profissionais merecem ser valorizados", destaca.

Segundo o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA) André Carvalho, a suspensão das atividades é o resultado da falta de diálogo. “Estamos em campanha salarial desde o final de setembro, mas quando chamadas para dialogar as empresas adiaram as rodadas de negociação por várias vezes, e quando decidiram dialogar nos deram uma proposta que não contempla os trabalhadores”, afirmou.

Atrasos e cancelamentos

Em nota, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) lamentou a greve: “O setor reconhece e respeita o direito de manifestação, mas lamenta o caminho escolhido em prejuízo dos passageiros. Em qualquer circunstância, as companhias aéreas estarão mobilizadas em prestar assistência aos clientes e a fazer todo o possível para minimizar os eventuais transtornos”.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que os impactos do movimento estão sendo monitorados em todos os aeroportos.

As companhias TAM, Gol e Avianca informaram que farão a remarcação das viagens sem multas aos passageiros. A orientação da Abear é que os passageiros quem têm voo para hoje entrem em contato com a empresa aérea para fazer a remarcação e quem vai para o aeroporto dê preferência aos canais eletrônicos e totens de check-in

No aeroporto de Brasília, 39 dos 100 voos previstos para partir até as 12h saíram com atrasos superiores a 30 minutos, e 21 foram cancelados. Para o dia todo, são esperados 538 pousos e decolagens. Segundo a Inframérica, que administra o terminal, o fluxo médio diário é de aproximadamente 54 mil passageiros. Na área de embarque do aeroporto a movimentação era intensa durante a manhã, mas sem tumultos.

No Santos Dumont, 10 voos foram cancelados e cinco partiram com atrasos. A previsão era de que os voos estivessem normalizados a partir das 12h. A movimentação no saguão foi normal e a paralisação dos aeronautas e aeroviários aconteceu das 6h às 10h. Já no Aeroporto Internacional Tom Jobim, também no Rio, a paralisação provocou cancelamento de um voo e atrasos de oito. A concessionária Rio Galeão informou que a situação deve se normalizar ao longo do dia.

Nos três aeroportos paulistas afetados pela paralisação, 43 voos foram cancelados durante duas horas de paralisação. O de Congonhas, na capital, registrou o maior número de cancelamentos e atrasos. Segundo a Infraero, das 57 decolagens previstas entre 6h e 9h, 27 foram canceladas e 17 registraram atraso. A GRU-Airport, que administra o aeroporto de Guarulhos, informou que dos 137 voos programados até as 9h três foram cancelados e 30 atrasaram. No aeroporto de Viracopos, na cidade de Campinas, 13 voos foram cancelados e 33 atrasaram entre 6h e 8h30.

Por causa do horário de verão em Fortaleza, a paralisação dos aeroviários e aeronautas aconteceu mais cedo, entre 5h e 7h. O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroviários Ariston Carneiro Fernandes avalia que o movimento foi positivo devido ao impacto nas atividades do Aeroporto Internacional Pinto Martins. “Reunimos cerca de 200 pessoas, entre aeroviários e aeronautas. Este é o nosso alerta: se não negociarem, não vamos parar por horas, mas por dias.” De acordo com o diretor, durante a paralisação, oito voos foram cancelados e seis atrasaram.

Segundo a Infraero, não houve cancelamentos em Fortaleza. Oito partidas e 3 chegadas atrasaram, em decorrência do movimento em outros aeroportos. A empresa informa ainda que a paralisação não afetou serviços relacionados à infraestrutura do aeroporto, como segurança e manutenção. A previsão é de que os horários dos voos se regularizem entre 10h30 e 10h40 (horário local).

Com informações da Tribuna da Bahia, Agência Brasil, Fentac/CUT e SNA-BA