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FUP anuncia greve por tempo indeterminado a partir de domingo

Federação critica empresa por apresentar proposta "que reduz direitos" e por não comparecer a audiência no Ministério Público do Trabalho
por Redação RBA publicado 30/10/2015 14h15, última modificação 30/10/2015 15h30
Federação critica empresa por apresentar proposta "que reduz direitos" e por não comparecer a audiência no Ministério Público do Trabalho
fup/divulgação
rangel

José Maria Rangel: "A terceirização tem uma ligação muito íntima com a corrupção"

São Paulo – A Federação Única dos Petroleiros (FUP) anunciou uma greve nacional da categoria a partir das 15h deste domingo (1º), após impasse nas negociações com a Petrobras sobre renovação do acordo coletivo e também sobre o plano de gestão da companhia. Bases ligadas à FNP, federação com cinco sindicatos filiados, já pararam ontem (29).

Segundo a FUP, a companhia ignorou por mais de 100 dias a chamada Pauta pelo Brasil, que inclui suspensão da venda de ativos, preservação da política de conteúdo nacional, garantia de exploração do pré-sal pela própria Petrobras e implementação de uma nova política de saúde e segurança. Além disso, apresentou uma proposta de renovação do acordo coletivo "que reduz direitos".

A entidade critica também a Petrobras, "em mais uma atitude arrogante", por não ter comparecido à audiência realizada ontem (29) no Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio de Janeiro para discutir regras durante o período de paralisação.

"Na audiência com o MPT, a FUP ressaltou que o Plano de Negócios e Gestão da Petrobras afeta drasticamente a sociedade brasileira e a vida de milhares de trabalhadores que estão sendo demitidos pelo país afora", afirma a federação. "A FUP também tornou a denunciar para o MPT as ações antissindicais da Petrobras e cobrou que a Lei de Greve seja cumprida não só pelos trabalhadores, como também pelos gestores da empresa."

A entidade tem 14 sindicatos filiados (Amazonas, Ceará, Bahia, Duque de Caxias, Espírito Santo, Minas Gerais, Norte Fluminense, Paraná/Santa Catarina, Rio Grande, Paraná - Sindiquímica, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Unificado do Estado de São Paulo).

A terceirização é uma preocupação recorrente nas negociações, lembra o coordenador da FUP, José Maria Rangel. "A terceirização, e está sendo comprovado com as investigações da Lava Jato, tem uma ligação muito íntima com a corrupção", afirmou ao Portal da CUT. Ele cobra reposição de pessoal, por concurso, após a saída de mais de 6 mil trabalhadores por meio de um plano de desligamento voluntário.

Já de acordo com a FNP, nas negociações feitas nesta semana, a empresa ofereceu reajuste de 8,11% nas tabelas salariais "e outras medidas que visam a diminuir custos", como redução no percentual de horas extras.

Em nota, a Petrobras afirma que está disposta a discutir o acordo coletivo e que a apresentação da proposta de 8,11%, na última quarta-feira (28), e a proposição de detalhar as cláusulas em reuniões com os sindicatos "reforçam esse compromisso". A empresa diz ainda que suspendeu a reunião que ocorria hoje por causa de bloqueios feitos por sindicatos na entrada de unidades. "Em relação às mobilizações dos sindicatos em algumas unidades da companhia, a Petrobras destaca que não há prejuízos à produção ou ao abastecimento do mercado", acrescenta a companhia, que não se manifestou sobre a pauta da FUP e nem sobre a reunião de ontem no MPT.