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Mobilização

Após quase um mês parados, professores do Paraná encerram greve

Categoria promete retomar movimento caso o governo descumpra compromissos assumidos
por Ricardo Gozzi, para a Rede Brasil Atual publicado 09/03/2015 13h34, última modificação 09/03/2015 13h41
Categoria promete retomar movimento caso o governo descumpra compromissos assumidos
Joka Madruga/APP Sindicato
assembleia

Se governo não cumprir acordo, categoria promete nova mobilização

Curitiba – Os professores do ensino público estadual do Paraná suspenderam na manhã de hoje (9) a greve iniciada há quase um mês para fazer frente a uma série de medidas adotadas pelo governador tucano Beto Richa e que ameaçava conquistas históricas da categoria. A decisão foi tomada em assembleia realizada hoje no estádio Durival Britto e Silva, pertencente ao Paraná Clube.

Com a suspensão, os professores permanecerão em estado de greve, o que permite a retomada da paralisação no caso de o governo descumprir os compromissos assumidos em negociações no decorrer das últimas semanas, mas pretendem voltar ao trabalho amanhã e realizar dois dias de organização pedagógica. O início do ano letivo nas escolas estaduais paranaenses deve ocorrer somente na quinta-feira

A suspensão ocorreu no 29º dia de paralisação. "Desde o início este é um movimento de resistência, uma greve contra a perda de direitos", observou na manhã de hoje o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

No decorrer da última semana, o governo afastou-se do diálogo com os professores e optou pela judicialização do debate. Acatando um pedido do Estado, o desembargador Luiz Mateus de Lima ordenou em caráter limitar a volta às aulas e autorizou o uso da força pela polícia em caso de piquetes em frente às escolas. Caso descumprisse a medida, a APP estaria sujeita a multa de R$ 20 mil por dia e o Estado estaria autorizado a descontar as faltas dos professores a partir de hoje. Ainda assim, o desembargador não declarou a greve ilegal e aceitou mediar as negociações entre governo e professores.

A mediação do Tribunal de Justiça do Paraná acabou por viabilizar um avanço visto pelos professores como um avanço importante: o estabelecimento de uma data para o pagamento das progressões e promoções atrasadas desde o ano passado. No decorrer das negociações, o governo havia se comprometido a implementar as promoções e progressões do ano passado nos meses de maio para os funcionários das escolas e de junho para os professores. Não havia, porém, previsão de quando seriam pagos os atrasados.

Diante da justiça, o governo comprometeu-se a depositar os atrasados em agosto para os funcionários e em outubro para os professores.Ontem, em uma reunião que estendeu-se por seis horas, 25 dos 29 núcleos estaduais da APP Sindicato defenderam a suspensão da greve e a retomada das aulas.

Na assembleia realizada hoje, cinco professores defenderam a continuidade da paralisação e cinco discursaram em favor da suspensão. Na votação, a categoria decidiu pela suspensão do movimento e a manutenção do estado de greve, o que permite aos professores manterem a mobilização articulada para a eventualidade de o governo descumprir as promessas assumidas perante a Justiça.

Ao término da assembleia, os professores seguiram até o Centro Cívico, onde realizarão um ato na tarde de hoje antes de desmontar o acampamento estabelecido há quase um mês em frente às sedes dos poderes Executivo e Legislativo do Paraná.


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