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manifestação

Protestos contra leilão do campo de Libra marcam aniversário da Petrobras

Em São Paulo, trabalhadores dizem que modelo de partilha feito pelo governo federal significa retirar dos brasileiros uma oportunidade de desenvolvimento e de aumento dos recursos nacionais
por Redação RBA publicado 03/10/2013 19h19, última modificação 03/10/2013 19h37
Em São Paulo, trabalhadores dizem que modelo de partilha feito pelo governo federal significa retirar dos brasileiros uma oportunidade de desenvolvimento e de aumento dos recursos nacionais
Alexandre Moreira/Brazil Photo Press/Folhapress
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Trabalhadores entendem que o correto seria Dilma cancelar o leilão marcado para o próximo dia 21

São Paulo – No dia de aniversário de 60 anos da Petrobras, os trabalhadores celebram a data com protestos e paralisações por 24 horas, em todo o país. Em São Paulo, um ato na tarde de hoje (3), na avenida Paulista, seguiu em passeata até a Assembleia Legislativa, onde parlamentares, lideranças sindicais e representantes de movimentos sociais se uniram contra o leilão do campo de Libra, o primeiro do pré-sal.

Os manifestantes entendem que o leilão, marcado para o dia 21, fere a soberania nacional, ao permitir que multinacionais se apropriem do petróleo brasileiro. Eles também protestam contra a terceirização, especificamente contra o Projeto de Lei 4.330, em tramitação na Câmara. Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o sistema Petrobras tem hoje cerca de 83 mil trabalhadores e mais de 350 mil terceirizados.

Após o protesto, os trabalhadores serão recebidos pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT). "Está havendo um tremendo alzheimer nacional. Você descobre o pré-sal, isso é espetacular, e aí descobre também que não tem recursos para perfurar. Agora fico me perguntando se o dinheiro do pré-sal vai para educação, se vai para saúde, quando na verdade o dinheiro não vai para ninguém. Foi criada uma ilusão de que esse dinheiro vai ser orçamentário, quando não é."

Em 20 de setembro, uma carta assinada por 88 organizações nacionais, entre sindicatos, centrais, ONGs, entidades de estudantes e outros movimentos sociais foi protocolada no Palácio do Planalto para a presidenta Dilma Rousseff. No documento, pede-se a suspensão do leilão do pré-sal e afirma-se que o processo "representará um erro estratégico e significará a privatização de parte importante do petróleo brasileiro”.

"Entregar uma parte do nosso pré-sal, mesmo no regime de partilha, significa dizer que vai colocar toda a riqueza do país nas mãos de estrangeiros. Isso é contra o desenvolvimento do país", reiterou hoje secretário-geral da CUT São Paulo, Sebastião Cardoso, o Tião. "Tínhamos uma expectativa de que com as últimas denúncias de espionagem o governo tomasse alguma decisão e suspendesse o leilão, mas o governo está agindo do ponto de vista financista, e não político."

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 11 empresas estão habilitadas para o leilão: as chinesas CNOOC International Limited (China) e China National Petroleum Corporation (CNPC), a hispano-chinesa Repsol/Sinopec, além de Ecopetrol (Colômbia), Mitsui & CO (Japão), ONGC Videsh (Índia), Petrogal (Portugal), Petronas (Malásia), Shell (Anglo-Holandesa) e Total (Francesa), além da própria Petrobras. Sete estão entre as 11 com maior valor de mercado no mundo.

A vencedora será a que reverter o maior percentual do petróleo excedente à União. A Petrobras terá participação de no mínimo 30% no consórcio vencedor.

A secretária-geral do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Raquel Kacelnikas, comparou o leilão do pré-sal à venda de instituições financeiras na década de 1990. "Repudiamos há anos a venda de bancos públicos a empresas privadas porque sabemos o que significa a internacionalização dos bens do nosso país, que é demissão e recursos do Brasil mandados para o exterior."

Além dos protestos contra o leilão, os petroleiros, que estão em campanha salarial, fazem a paralisação de hoje para pressionar a empresa a apresentar uma proposta à pauta de reivindicações protocolada há quase um mês, em 6 de agosto.