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Fim do impasse

Bancários aprovam acordo e encerram greve, depois de 23 dias

Em São Paulo, assembleia foi realizada no final da tarde. Outras serão realizadas pelo país até segunda-feira. Categoria terá 8% de reajuste
por Redação RBA publicado 11/10/2013 19h02, última modificação 12/10/2013 00h53
Em São Paulo, assembleia foi realizada no final da tarde. Outras serão realizadas pelo país até segunda-feira. Categoria terá 8% de reajuste
Lucas Duarte de Souza/Sindicato dos Bancários
Greve SP

A mobilização deste ano chegou a contar com o fechamento 12 mil agências em todo o país

São Paulo – Em assembleia no início da noite de hoje (11), os bancários de São Paulo aprovaram a proposta de acordo negociada desde ontem entre o Comando Nacional da categoria e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), que prevê 8% de reajuste salarial na data-base (1º de setembro), para uma inflação de 6,09%. Para o piso, o aumento será de 8,5%.

O acordo para o setor privado também já foi aprovado em Belo Horizonte. Em Porto Alegre, a proposta foi rejeitada e passará por outra votação na segunda-feira. Outras assembleias serão realizadas até segunda, também com tendência de aprovação, incluindo setor privado, Banco do Brasil e Caixa – os bancos públicos seguem o acordo, mas também negociam questões específicas. Com isso, termina a greve nacional do setor, depois de 23 dias, a mais longa paralisação desde 2004.

Para a participação nos lucros ou resultados (PLR), a regra básica é de 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.694 (reajuste de 10%), com teto de R$ 9.087,49. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, será adotado multiplicador até atingir esse percentual ou 2,2 salários.

O principal motivo de impasse para a conclusão da negociação era relativo à compensação dos dias parados. A Fenaban queria que isso ocorresse em 180 dias. O acordo final prevê compensação de até uma hora extra  por dia, de segunda a sexta-feira, até 15 de dezembro.

A nova convenção, que será assinada nos próximos dias, terá três novas cláusulas: proibição de envio da SMS, pelos bancos, para cobranças de resultados, abono-assiduidade de um dia por ano e adesão ao programa de Vale-Cultura do governo federal (R$ 50 por mês).

"O aumento real de 1,82% é maior do que a media dos aumentos reais dos bancários desde 2004. Com isso, em dez anos iremos acumular 18,33% de ganho real nos salários e 38,7% nos pisos. O Comando avalia que a proposta tem avanços nas principais reivindicações dos bancários", disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira. "Para que o Brasil continue crescendo é fundamental aumento real nos salários, assim como a valorização no piso", acrescentou. 

"O que estava em jogo não era simplesmente o resultado desta campanha de 2013, mas de 2014, 2015... Porque se os banqueiros conseguissem não colocar aumento real isso mudaria o patamar das negociações que vínhamos tendo", comentou o presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional, Carlos Cordeiro.

"Fruto de discussões e atendendo as sugestões da própria mesa de negociação, a Fenaban apresentou proposta para agilizar o processo de apuração de questionamentos que levam a conflitos no ambiente de trabalho. O prazo cai de 60 para 45 dias", diz a entidade patronal, em nota. Também será formado um grupo de trabalho "para analisar as causas de afastamento no setor".

A Fenaban informou ainda que "se compromete" a realizar seminário sobre tendências da tecnologia no cenário mundial, "diante do fato de que a tecnologia é cada vez mais um alicerce para a indústria global de serviços financeiros".

Com informações da repórter Viviane Claudino