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manifestação

Em greve, bancários saem em passeata em São Paulo, Rio e Belo Horizonte

No quinto dia de paralisação o movimento chegou a 9.015 locais de trabalho. Silêncio de entidade patronal faz crescer adesão, avalia Contraf
por Viviane Claudino, da RBA publicado 23/09/2013 18h59, última modificação 23/09/2013 19h16
No quinto dia de paralisação o movimento chegou a 9.015 locais de trabalho. Silêncio de entidade patronal faz crescer adesão, avalia Contraf
Sindicato dos Bancários de São Paulo
Bancários em greve

Trabalhadores reivindicam 5% de aumento real, Fenaban propõe somente a reposição da inflação

São Paulo – Ainda sem a apresentação de uma proposta que atenda às reivindicações da categoria, bancários, que estão em greve há cinco dias, organizam amanhã (24) passeatas em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, como atividades da campanha salarial 2013.

Em Belo Horizonte a caminhada ocorre às 13h, pelas ruas do centro da cidade. Em São Paulo os trabalhadores se reúnem a partir das 16h, no vão livre do Masp, para sair em passeata pela avenida Paulista. A concentração de trabalhadores no Rio será a partir das 18h na Candelária, para caminhada da avenida Rio Branco até a Cinelândia.

De acordo com informações da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), as paralisações de hoje cresceram 23,8% em relação à sexta (20) e chegaram a 9.015 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados, nos 26 estados e no Distrito Federal.

Em São Paulo a greve dos bancários se estendeu para os setores estratégicos de tecnologia da informação (TI) e paralisou os trabalhos em 648 locais, com a participação de aproximadamente 29 mil trabalhadores, segundo a entidade que representa a categoria na capital.

"Os bancários estão cada vez mais indignados com o silêncio da Fenaban. Por isso o movimento se amplia rapidamente a cada dia em todo o país. Os banqueiros não atenderam às reivindicações da categoria na mesa de negociação e agora estão sentindo a força da mobilização", afirma o presidente da Contraf, Carlos Cordeiro, em nota da entidade.

Entre as principais reivindicações econômicas os trabalhadores estão aumento real de 5%, piso de R$ 2.860,21 e pagamento de três salários mais parcela fixa de R$ 5.553,15 para Participação nos Lucros ou Resultados (PLR).

Um estudo do Dieese, com base no Censo 2010, aponta que 10% das pessoas mais ricas do Brasil têm renda média mensal 39 vezes maior que a das 10% mais pobres. Com base no Relatório Social da Febraban, o estudo mostra que no sistema financeiro a concentração de renda é ainda maior. No Itaú, por exemplo, os executivos recebem em média R$ 9,05 milhões por ano, o que representa 191,82 vezes o que ganha o bancário do piso. No Santander, os diretores embolsam R$ 5,6 milhões, o que significa 119,25 vezes o salário do caixa. E no Bradesco, que paga R$ 5 milhões anuais a seus executivos, a diferença é de 106,09 vezes.

“Há outros setores da economia, que não lucram tanto quanto os bancos, nos quais os trabalhadores estão conquistando aumento real. A categoria bancária está deixando claro às instituições financeiras que também não sairá desta campanha sem aumento real nos salários, valorização nos pisos e verbas, PLR maior e soluções para questões de saúde e condições de trabalho”, afirma a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira.

Os trabalhadores também pedem mais contratações, combate às terceirizações e fim da cobrança pelo cumprimento de metas abusivas e assédio moral, entre outros. Após quatro rodadas de negociação a Fenaban apresentou como proposta a reposição da inflação, medida em 6,1% pelo INPC de setembro de 2012 a agosto de 2014.