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Caminhoneiros esperam em Brasília para negociar barateamento de diesel e pedágio

Liminar concedida à União impede paralisação total de rodovias federais
por Redação RBA publicado 01/07/2013 17h19, última modificação 01/07/2013 20h19
Liminar concedida à União impede paralisação total de rodovias federais
Anderson Gores/ABCDigipress/Folhapress
caminhoneiros

Cobrança de eixo suspenso: recurso utilizado por Alckmin para congelar pedágio de carro de passeio

São Paulo – Representantes do Movimento União Brasil Caminhoneiro (MUBC) e da Associação Brasileira dos Caminhoneiros foram à capital federal à espera de negociar suas reivindicações com o ministro dos Transportes, César Borges. No entanto, até o início da noite, a equipe ministerial continuava reunida com a presidenta Dilma Rousseff para discussão das recentes manifestações populares, em especial os protestos dos caminhoneiros, que paralisaram diversas estradas em todo o país nesta segunda-feira. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, foram afetadas 22 estradas federais em todo o país.

Até agora as paralisações dos caminhoneiros transcorrem de forma pacífica. Na tarde de ontem a União, representada pelo Ministério dos Transportes, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), conseguiu um interdito proibitório que impede o MUBC de bloquear as rodovias federais em todo o país. Por isso, mesmo com as interdições há pistas liberadas para trânsito de automóveis e motocicletas.

A liminar da juíza Cynthia Leite Marques fixa multa de R$ 10 mil por hora de interrupção do tráfego entre hoje e quinta-feira (4).  "Que se abstenha de praticar qualquer ato de turbação (transtorno) ou esbulho (privação) à posse das rodovias federais, seja em toda a sua extensão, seja em pequenos trechos”. O documento diz que no caso de obstrução das estradas em razão do movimento, caberá à Polícia Rodoviária Federal realizar o desbloqueio.

Os protestos dos caminhoneiros, com adesão de trabalhadores, empresas e cooperativas de transporte e demais serviços relacionados ao setor, estão programados para ocorrer até quinta-feira (4) ou mediante negociação com o governo. Eles pedem isenção para o pagamento de pedágios em todas as rodovias do Brasil, criação de uma secretaria nacional de transportes, vinculada à Presidência da República, além da redução do preço do óleo diesel, com a finalidade de baratear os valores dos alimentos e produtos. Eles também exigem a votação e sanção do Projeto de Lei 12619/12, relacionada ao tempo de direção e descanso do motorista.

Em São Paulo, os bloqueios ocorrem na Rodovia Castello Branco e na Via Anchieta. O Rodoanel Mário Covas também parou até o início da tarde. Por volta de 16h50, a pista sentido São Paulo da via Dutra foi bloqueada na altura de Barra Mansa (RJ). Estima-se que 3 mil caminhões participem do ato. Os dois  acessos ao Porto de Santos também estão bloqueados. As manifestações também ocorrem no Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso.

O MUBC recomenda à categoria não programar viagens para esse período, "de maneira a reduzir o número de veículos de carga em tráfego nas rodovias e, consecutivamente, eliminar qualquer possibilidade de transtornos aos demais usuários".

Contra

Em nota, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes (CNTT) informa que é contra a manifestação dos caminhoneiros e reafirma apoio à Lei 12619/12, “que regulamenta a profissão de motorista no Brasil, controla a jornada de trabalho, cria horários de descanso, garante horas extras, entre outras conquistas”.

Segundo representantes da CNTT, devido ao cansaço e horas exaustivas de trabalho, muitos motoristas acabam se envolvendo em acidentes, que são responsáveis por mais de um terço das mortes nas estradas brasileiras. “Acreditamos que os motoristas caminhoneiros devam ter os mesmos direitos que outros trabalhadores têm, defendemos a livre organização e manifestação dos trabalhadores que buscam melhorias de vida, mas somos contra os movimentos patronais, que visam apenas a aumentar o lucro das transportadoras, em detrimento de direitos e da segurança dos trabalhadores e da população em geral”.

Estratégia de Alckmin

Na esteira das manifestações, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou no último dia 24 o congelamento do aumento da tarifa de pedágio nas estradas paulistas para carros de passeio, que seria de aproximadamente 6% a partir de hoje (1). Para justificar a perda de receita, o governador adotou quatro medidas, mas jogou sobre os caminhoneiros o peso da decisão. Até ontem, os caminhões estavam isentos de pagar o eixo suspenso, recurso adotado quando não a carga não é tão pesada. Com isso, na Anchieta, por exemplo, o custo do pedágio passará de pouco menos de R$ 70 para quase R$ 140. A mudança é uma das causas que motiva a insatisfação da categoria nos protestos realizados hoje.

Segundo o governador afirmou, a decisão faz parte de um conjunto de medidas para reduzir os gastos da população com transportes e "acontece em consonância com a revogação do aumento das tarifas de ônibus e metrô anunciada dia 19. "Não é medida populista, nós estamos fazendo um trabalho de dois anos e meio para contratos de longo prazo", disse.

Com informações da Agência Brasil