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Suspensão do contrato de trabalho evita 1.500 demissões na Mercedes-Benz, no ABC paulista

por Redação da RBA publicado 29/05/2012 17h52, última modificação 29/05/2012 19h17

São Paulo – A suspensão do contrato de trabalho, conhecida por lay off, foi a solução encontrada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e pela Mercedes-Benz para evitar a demissão de 1.500 empregados da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A medida foi necessária devido à queda na produção de caminhões depois da introdução, em janeiro, do motor Euro 5. A Mercedes tem 13 mil empregados, sendo 9 mil na linha de produção, e, pela primeira vez, adota a decisão de suspender o contrato de trabalho temporariamente.

Os afastados ficarão em casa no máximo por cinco meses, de 18 de junho a 17 de novembro, e receberão bolsa mensal do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no valor de R$ 1.163 para frequentar 300 horas (60 por mês) de curso de qualificação profissional no Senai. O valor será complementado pela Mercedes até atingir o salário líquido dos trabalhadores.

A legislação trabalhista garante, durante o lay off, os direitos trabalhistas (férias, 13° salário, reajustes) e benefícios (como plano de saúde). A frequência no curso é condição para o pagamento da bolsa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, disse que esse foi o melhor caminho encontrado para evitar demissões na montadora alemã. “Esse acordo é muito importante porque o desempregado não consome e, sem consumo, a produção cai, o que pode potencializar uma crise. Uma solução como essa deixa os trabalhadores mais tranquilos”, disse.

Nobre acredita que o pacote emergencial para o setor automotivo anunciado pelo Ministério da Fazenda no último dia 21 surtirá efeitos a partir do segundo semestre no segmento de caminhões. Para ele, a retomada da produção de caminhões e as vendas dependem da recuperação da confiança de empresas e investidores na economia. "As obras da Copa, do PAC, safra e medidas de destravamento do crédito e ao financiamento contribuirão para essa recuperação", avaliou o dirigente.

O sindicato, que integra o Conselho de Competitividade do Setor Automotivo, do Plano Brasil Maior, reivindica a criação de política específica para caminhões, que barateie o preço dos veículos e dos combustíveis e também amplie a rede de abastecimento. A mudança de tecnologia que implementou o motor Euro 5, com menor emissão de poluentes, encareceu os caminhões em 15% e fez caírem as vendas.

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