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1º de Maio da CUT começa com pedido por união internacional de trabalhadores

por Terlânia Bruno, RBA publicado , última modificação 26/04/2012 17h01

São Paulo – A CUT de São Paulo deu início hoje (26) à série de atividades em comemoração ao 1º de Maio – Dia Mundial do Trabalho. O seminário “Estratégias para o desenvolvimento sustentável nacional e internacional” reúne, no Sesc Belenzinho, zona leste da capital, lideranças sindicais de Argentina, Paraguai e Rússia.

De acordo com Adi dos Santos Lima, presidente da CUT paulista, o encontro foi organizado para estimular a reflexão sobre um novo modelo de desenvolvimento com justiça social. “Queremos aprofundar o debate sobre a realidade do trabalhador brasileiro, do ponto de vista econômico, social e ambiental, e relacionar essa realidade com a dos trabalhadores dos países que integram o Mercosul e os Brics (Brasil, Russia, India, China e África do Sul)”.

Victorio Paulon, secretário de Relações Internacionais da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA), que participou do debate “Desenvolvimento, crescimento e sustentabilidade", defende a organização dos trabalhadores da região como ponto crucial no processo de um novo modelo de desenvolvimento. “Existe hoje uma crise estrutural que afeta a todos nós e, por isso, precisamos estar unidos, organizados e voltados para enfrentar os desafios de integrar os povos e, principalmente, os trabalhadores da região.” Para o sindicalista, o maior desafio do movimento sindical latino-americano hoje é envolver os jovens na luta sindical.

“A experiência brasileira nos últimos 10 anos é o que mais se assemelha a um modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou Esther Bemerguy de Albuquerque, secretária de Planejamento e Investimentos Estratégicos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Segundo ela, o Brasil avançou num conjunto de políticas públicas que contemplam o anseio mundial por um outro projeto de desenvolvimento. “Temos agora o desafio de tirar da linha da pobreza 16 milhões de brasileiros. Não podemos aceitar essa realidade, sendo a sexta economia do planeta.”

Para a secretária de Planejamento, o desafio da Conferência Rio+20 é fazer com que os debates extrapolem as questões ambientais e também se voltem para temas sociais. “Não é só discutir economia verde, mas fazer com que o debate sobre desenvolvimento sustentável seja amplo, na perspectiva da inclusão e dos direitos sociais.”

Paulo Sergio Muçouçah, coordenador dos Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, teve uma fala menos otimista do que a de Esther Bemerguy. Ele destacou os principais pontos do documento encaminhado pela OIT para o chamado “Rascunho Zero” da Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. “O documento propõe que os países se voltem para o fortalecimento de políticas de inclusão social, ampliando o sistema de proteção social, com ênfase na qualidade do emprego e na criação de empregos e empresas verdes.”

O representante russo no seminário, Artem Iashenkov, presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Indústrias Automobilísticas-MPRA/Confederação dos Trabalhadores da Rússia –KTR, disse que o sindicalismo em seu país vem se fortalecendo desde 2005, apesar de o governo reprimir movimentos grevistas. “Muitos trabalhadores de pequenas empresas nos procuram para saber como organizar seus sindicatos e os jovens entendem a importância do movimento sindical.”

Representando o presidente da CUT nacional, Artur Henrique, o secretário de Administração e Finanças da central, Vagner Freitas, ressaltou que a construção de um novo modelo de desenvolvimento passa pelo fortalecimento do Estado, distribuição de renda, melhores salários e valorização do serviço público, além de políticas nas áreas sociais. “Temos condições de construir um outro mundo pela força participativa dos movimentos sindicais e sociais."