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Saúde dos policiais é afetada por más condições de trabalho, constata pesquisa da Fiocruz

por Cida de Oliveira, RBA publicado 12/02/2012 14h59, última modificação 12/02/2012 18h29

São Paulo - A atual crise das polícias da Bahia e do Rio de Janeiro parecem fruto de um processo histórico, de longa data, no qual a formação de uma imagem de ineficiência e corrupção vem desgastando a credibilidade dos policiais junto à população. A opinião é da pesquisadora Edinilsa Ramos de Souza, do Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves), ligado à Escola Nacional de Sáude Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), que mantém linha de pesquisa voltada a esses profissionais.

“Essa crise é a reivindicação de todas essas questões, que há muito vêm sendo apontadas mas que até agora não foram suficientemente ouvidas e contempladas pelas autoridades e pelas políticas públicas dirigidas a essa categoria”, declarou a pesquisadora em entrevista ao portal da ENSP/Fiocruz.

Segundo ela, há ainda "um desgaste da própria crença deles [policiais] na possibilidade de obter condições dignas de trabalho, dentre as quais melhores salários, equipamentos adequados, melhor formação para o desempenho das suas funções, atenção aos seus problemas de saúde".

Ainda conforme a pesquisadora, como o trabalho é uma dimensão estruturante da vida humana, a eclosão de uma crise nessa esfera afeta as demais, sobretudo a saúde e a vida como um todo. Os envolvidos direta ou indiretamente nos conflitos recentes podem estar sofrendo de pressão alta, aumento nos batimentos cardíacos, insônia, falta de apetite, ansiedade, angústia, medo e sofrimento mental, dentre outros sinais e sintomas.

Edinilsa é coautora da pesquisa Condições de trabalho, saúde e qualidade de vida dos policiais civis e militares da cidade do Rio de Janeiro: estudo comparativo, que estudou as condições de trabalho, de saúde e de qualidade de vida desses profissionais que atuam na capital do estado do Rio de Janeiro.

Participaram do estudo 1.458 policiais civis e 1.120 policiais militares. Os resultados mostraram que, do ponto de vista do processo de trabalho, os PMs se queixam muito mais que os civis do excessivo peso da hierarquia e da disciplina. Sobre os problemas de saúde, dentre os mais preocupantes nas duas corporações estão o excesso de peso e a obesidade, as enfermidades gerais relacionadas à saúde física, mas, sobretudo a problemas mentais, como sofrimento psíquico e estresse, o que aponta para a necessidade urgente de se instituírem formas eficazes e bem elaboradas de apoio psicológico e a melhora nos serviços de assistência.

A imagem desses profissionais é apontada por eles mesmos como bastante degradada tanto para a sociedade como para as próprias corporações, que não os valorizam. Mesmo assim, na maioria dos questionários, quando perguntados se escolheriam outra profissão, uma parcela significativa disse que não, mas que gostaria de melhores condições de trabalho.

Em parceria com as pesquisadoras Maria Cecília de Souza Minayo e Patrícia Constantino, Edinilsa estuda os impactos das condições de trabalho no processo de adoecimento e morte dos policiais, em especial aqueles que atuam em unidades operacionais, nas ruas, no combate à criminalidade.  Um dos resultados dos estudos é o livro Missão: prevenir e proteger, que investigou as condições de trabalho, saúde e qualidade de vida dos policiais militares do estado do Rio de Janeiro.

A publicação, que resulta de uma investigação sociológica das condições de trabalho, saúde e qualidade de vida dos policiais militares do estado do Rio de Janeiro, mostra as consequências das condições de trabalho impostas ao policial militar. 

Com informações da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz)