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Bancários querem conferência nacional do sistema financeiro

por Redação da RBA publicado , última modificação 02/04/2012 16h36

Carlos Cordeiro, presidente reeleito da Contraf-CUT: inserir sistema financeiro no desenvolvimento do país (Foto: Jailton Garcia)

São Paulo – Em uma de suas primeiras ações como presidente reeleito da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, anunciou nesta segunda-feira (2) que uma das principais metas da entidade na gestão 2012/2015 será a convocação de uma conferência nacional sobre o sistema financeiro.

A reeleição de Cordeiro para o triênio foi concretizada no último fim de semana, quando centenas de delegados sindicais de todo o país, além de representantes estrangeiros, realizaram o 3º Congresso Nacional da categoria, em Guarulhos, região metropolitana da capital paulista.

O dirigente explicou que a mobilização para a realização da conferência se faz a partir das resoluções do congresso, que entre outros temas, abordou a responsabilização social dos bancos dentro de um contexto de desenvolvimento econômico.

“O Brasil é a sexta maior economia do mundo e está entre os 12 países com a maior concentração da riqueza. Os brasileiros têm pouco acesso ao crédito e pagam as maiores taxas de juros e spreads do mundo. Essa é uma situação insustentável para um país que precisa se desenvolver, gerar emprego e renda e reduzir essa vergonhosa desigualdade”, afirmou Cordeiro, em nota. “Por isso é fundamental que a sociedade brasileira discuta em uma conferência nacional qual o papel que o sistema financeiro deve desempenhar para ajudar o país a se desenvolver. Vamos levar essa discussão ao governo federal, ao Congresso Nacional e às entidades representativas da sociedade civil."

Plataforma

O 3º Congresso da Contraf-CUT reuniu mais de 310 delegados sindicais de todo o país, que definiram objetivos e estratégias de lutas da categoria, além de eleger a diretoria à frente da confederação de entidades de trabalhadores do setor financeiro até 2015.

No sábado (31) foi aprovado por unanimidade o texto-base elaborado após os debates entre todas as federações filiadas. O documento contempla análises de conjuntura nacional e internacional, e traça diretrizes para a organização dos trabalhadores bancários nos próximos anos.

Lutas

O texto-base é estruturado em sete eixos. A entidade promete publicar a íntegra do documento durante a semana. Destacam-se, entre os temas abordados, a luta por um estado democratizado, a reforma tributária, a reforma política, a regulamentação do sistema financeiro e comunicação para a disputa para a hegemonia.

Os bancários também reforçam o conceito de trabalho decente. Entre as propostas aprovadas estão a manutenção da luta por aumentos reais de salário, a campanha pelo fim da rotatividade nos postos de trabalho do setor, a promoção da igualdade de oportunidades e combate a todos os tipos de discriminação. 

O documento ressalta, em sua parte final, a construção de alianças sociais no mundo, fortalecendo a política internacional da Contraf-CUT. Esse foi um dos campos de atuação em que a Confederação se destacou e ganhou espaços no último período. 

Ao fim dos trabalhos, a diretoria da entidade festejou os resultados. "Foi uma construção coletiva, democrática e participativa, que olha para a realidade do Brasil e do mundo e define ações e projetos para enfrentar os novos desafios, na perspectiva de ampliar as conquistas e consolidar avanços ", avaliou o secretário de finanças da Contraf-CUT, Roberto Von Der Osten, em reportagem no portal da confederação.

Imposto sindical

No último dia de congresso, a CUT lançou a campanha "Liberdade e Autonomia Sindical - democratizar relações de trabalho para ampliar e garantir direitos". A iniciativa vem sendo divulgada desde 8 de março e possui como uma das suas frentes de ação o plebiscito "Eu digo NÃO ao imposto sindical". A coleta de assinaturas dos trabalhadores começou em 26 de março e deve se estender até final de abril. 

Verdade

A plenária final do 3º Congresso da Contraf-CUT, realizada na manhã do domingo aprovou também por unanimidade uma moção pelo direito de saber a verdade e contra os crimes da ditadura no Brasil (1964 a 1985). 

O documento cita Aloísio Palhano, ex-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e um dos fundadores da primeira confederação nacional dos bancários, no final da década de 1950, que foi preso, torturado e morto nas dependências do DOI-Codi.

"A anistia foi para pacificar o Brasil, não para esconder sua história!", conclui o texto aprovado.

Com informações da Contraf-CUT

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