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Ipea indica bom desempenho do mercado de trabalho em 2011

Desaceleração da atividade econômica exige “posição cautelosa” para próximos meses
por raoniscan publicado , última modificação 01/03/2012 15h53
Desaceleração da atividade econômica exige “posição cautelosa” para próximos meses

São Paulo – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou hoje (1º) boletim no qual traça uma perspectiva bastante otimista para o país, com a recomendação de uma “posição cautelosa” nos próximos meses por conta do esfriamento da atividade econômica verificado pela estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2011 ante o segundo. O estudo mostra que o mercado de trabalho teve em 2011 bom desempenho, atingindo em dezembro a menor marca desde a implementação, em 2002, da atual metodologia da pesquisa: 4,7%. Também foi a menor média anual (6%), que representa redução de 0,8 ponto percentual em relação a 2010. O desemprego não oscilou muito nos três primeiros trimestres do ano, contudo, houve um aumento do ritmo da sua queda nos últimos três meses (-1,1 ponto percentual).

Quanto à população ocupada no ano passado, o crescimento médio foi de 2,1%, comparado a 2010. “Tal fato corresponde à geração de 453 mil novos postos de trabalho”, detalha o Ipea. As regiões metropolitanas que ganharam maior destaque quanto ao nível de ocupação foram Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, todas com crescimento de ao menos 2,5%. Já Salvador foi a região que menos se destacou, com crescimento de 0,7%.

Entre os índices sobre a população ocupada no país, ganha evidência a expansão do número de trabalhadores com carteira assinada, os formalizados. “Os empregados com carteira de trabalho assinada registraram crescimento de 6,2% em 2011 em relação a 2010, o que equivale, em valores absolutos, a aproximadamente 696 mil novos contratos com carteira assinada”, diz o instituto. Na outra ponta, os empregados sem carteira registram um decréscimo de 5,3%. Já o contingente de ocupados por conta própria regrediu 0,6%.

O rendimento médio anual ficou em R$ 1.625,50, representando alta de 2,7% em relação à média de 2010. No último mês do ano, alcançou o valor mais elevado para meses de dezembro da série histórica: R$ 1.650, com um crescimento de 1,1% em comparação a novembro. Ante dezembro de 2010, o poder de compra dos ocupados cresceu 2,6%. “No plano regional, todas as regiões metropolitanas analisadas registraram aumento nos rendimentos reais médios, com destaque para Salvador e Rio de Janeiro, que apresentaram variações de 5,2% e 4,9%, respectivamente. São Paulo foi a região que menos apresentou crescimento (0,7%)”, mostra o estudo.


Sinal amarelo

Apesar dos bons índices– a taxa de desocupação manteve uma trajetória descendente, a informalidade também se manteve em patamares bem abaixo dos anos anteriores e os rendimentos mantiveram uma trajetória ascendente –, o Ipea recomendou uma posição um pouco mais cautelosa em relação aos prognósticos para os próximos meses. A estagnação no crescimento da população ocupada notada no último trimestre, e o fato de o emprego industrial ter mostrado claros sinais de perda de dinamismo são as principais justificativas do Instituto para o Brasil acender o sinal de alerta.

Os indicadores com informações disponíveis sobre o quarto trimestre de 2011, tal como vendas no varejo e produção industrial confirmam tal tendência de estagnação de economia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2011 acumulando alta de 6,5% ante 5,79% em 2010.

“Em que pese o fato de que o setor terciário vem sendo responsável em grande medida pelo bom desempenho do nosso mercado de trabalho nos últimos anos, será necessário um desempenho cada vez melhor desse setor para a manutenção desse quadro, caso a indústria não reverta a tendência de queda mencionada", afirma o instituto.