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Cenário para negociações sindicais ficou mais favorável a partir de 2004

Para o Dieese, campanhas entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2000 foram prejudicadas pelo baixo crescimento econômico
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado , última modificação 21/03/2012 17h06
Para o Dieese, campanhas entre meados dos anos 1990 e início dos anos 2000 foram prejudicadas pelo baixo crescimento econômico

São Paulo – Para o Dieese, as campanhas salariais realizadas nos 16 últimos anos têm dois momentos distintos: uma conjuntura desfavorável até 2003, período marcado, na média, por baixo crescimento econômico e desemprego elevado, fatores negativos para a negociação. “De 2004 em diante, há uma reversão da tendência”, disse o coordenador de Relações Sindicais do instituto, José Silvestre Prado de Oliveira. Especificamente nos quatro últimos anos, quando o Dieese consolidou em 702 negociações o universo pesquisado, 91,3% dos acordos foram assinados com reajuste acima da variação do INPC. Na média, os aumentos reais atingiram 5,01%. O maior aumento médio foi do setor industrial (5,66%) e o menor, nos serviços (3,82%). O comércio atingiu 5,47%.

O Dieese lembra que nos últimos quatro anos o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 15,8% e o PIB per capita, 11,4%. Poucas negociações nesse período resultaram em ganhos equivalentes. “Em relação à variação do PIB no período, cerca de 3% das negociações analisadas tiveram aumentos reais iguais ou acima de 15,8%. Em relação ao PIB per capita, 9%.”

O secretário-geral da Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado de São Paulo (Fequimfar, ligada à Força Sindical), Edson Bicalho, vê um cenário mais favorável para as campanhas salariais em 2012. “Houve no ano passado mais dificuldade por causa da inflação maior. Algumas categorias têm trabalhado na recuperação dos pisos salariais, impulsionados pelo aumento do salário mínimo”, lembrou. Segundo Silvestre, do Dieese, a inflação média em 12 meses ficou em 6,5% e 7% em 2011, ante 4,5% a 5% no ano anterior.

Já o secretário-geral da CUT de São Paulo, Rogério Giannini, considerou preocupante o resultado das campanhas no setor de serviços – pelo aumento da participação no PIB e em número de trabalhadores –, com quase um quarto dos acordos sem aumento real. Ele considera positivas algumas das medidas adotadas pelo governo para estimular a economia, mas disse esperar uma política mais incisiva em relação a câmbio e juros. “Entre o rentismo e a produção, queremos que o governo dê preferência à produção”, acrescentou o secretário-geral da CTB, Pascoal Carneiro.

O coordenador do Dieese avaliou que o resultado das negociações dos últimos anos sinaliza um novo momento. “Hoje você não discute a inflação. Você discute o patamar de ganho real”, disse. “Não tem nada no cenário que indique um recuo do ponto de vista dos ganhos reais”, acrescentou, referindo-se às campanhas deste ano.

A secretária de Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ana Tércia Sanches, acredita que o discurso da crise internacional estará presente nas mesas de negociação ao longo do ano, como argumento dos empresários para dificultar a concessão de reajustes. O que está em jogo, observou, é o desenvolvimento econômico e social do país.