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Pressão por metas e estresse são principais causas de doenças entre bancários

por Jessica Souza Santos, Rede Brasil Atual publicado 24/08/2011 20:00, última modificação 25/08/2011 10:54
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São Paulo – Estudo divulgado nesta quarta-feira (24) pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb/SP), aponta o estresse e a pressão para cumprir metas de produtividade exigidas pelas empresas como os principais fatores de adoecimento da categoria. A apresentação ocorreu durante o Seminário Internacional de Saúde dos Bancários, na capital paulista.


De acordo com a pesquisa “Visão da organização do trabalho e do ambiente de trabalho bancário na saúde física e mental da categoria”, 84% dos trabalhadores entrevistados já tiveram algum problema de saúde com uma frequência acima do normal.

A principal reclamação é em relação ao estresse, relatado por 65% dos bancários, em sua maioria jovens. Mais da metade, 52%, afirmou ter dificuldade para relaxar e manter-se preocupado com o trabalho. A sensação de cansaço e fadiga acomete 47% deles e 40% afirmam sentir dor ou formigamento nos ombros, braços e mãos. Os dados confirmam que os trabalhadores do ramo financeiro estão entre as categorias que mais adoecem mental e fisicamente.

A pressão para o cumprimento de metas cada vez maiores foi apontada por 65% dos funcionários de agências bancárias e 52% dos funcionários das concentrações como o maior causador de estresse. De acordo com 62% dos bancários, a meta em si não é o problema, mas a pressão abusiva pelas metas. Para gerentes comerciais, o desrespeito às convicções pessoais para se atingir as metas pré-estabelecidas também levam a episódios de estresse.

Para Walcir Previtale Bruno, secretário de Saúde e Condições de Trabalho do Sindicatos dos Bancários, a atual organização do trabalho exige que o bancário "nunca erre e tenha que convencer seus clientes a consumirem produtos que não são adequados as suas reais necessidades". Dos trabalhadores, 41% dizem estar tensos o tempo todo, receando cometer um erro.

Problema da organização bancária

A pesquisa também detectou que os caixas são os profissionais que mais sofrem com afastamentos por problemas de saúde, porque lidam ao mesmo tempo diretamente com o público e com o capital do banco. Eles descrevem dificuldades na relação com os clientes e sentem falta de treinamento adequado. E 44% confessam que aprenderam seu trabalho observando os colegas.

O assédio moral ainda não é reconhecido por muitos trabalhadores: 24% dizem ter vivido situação de constrangimento, mas quando são descritas situações específicas esse número aumenta para 42% dos entrevistados.

Outro problema apontado é a vergonha que os trabalhadores sentem quando são afastados por doença. No retorno ao trabalho, eles não se veem mais parte da equipe. O pedido de demissão é muito comum nesses casos e o empregador favorece essa decisão ao rotular os afastados como maus exemplos. 

Análise do perfil dos trabalhadores afastados por doenças ocupacionais demonstrou que, em sua maioria, tratavam-se de funcionários exemplares e que consideravam seu banco a melhor empresa para trabalhar. Essas pessoas estavam sempre disponíveis fora do horário do trabalho, acumulavam horas extras e jornadas aos finais de semana. Não tinham mais vida social ou em família e muitos eram os provedores do orçamento familiar.

Para 66% dos entrevistados, estresse, metas abusivas, pressão e excesso de trabalho são consequências da forma de organização dos bancos.

Pesquisa

O estudo foi realizado pela Acerte Pesquisa e Comunicação entre novembro de 2010 e fevereiro de 2011. Participaram funcionários do Bradesco, Itaú/Unibanco, Santander, HSBC, Caixa Federal e Banco do Brasil. A pesquisa foi dividida em duas fases, uma qualitativa e outra quantitativa. A fase qualitativa teve discussões em grupo e entrevistas em profundidade. Foram ouvidos bancários de vários níveis hierárquicos e também pessoas afastadas de suas funções.

A fase quantitativa da pesquisa foi realizada entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011. Foram feitas entrevistas por telefone com 818 trabalhadores de bancos públicos e privados. A margem de erro é de 3,5%, dentro de um intervalo de confiança de 95%.

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