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Ipea prevê negociações salariais "duras" por inflação acumulada

Economista descarta ameaça inflacionária relacionada a campanhas salariais do segundo semestre
por anselmomassad publicado 15/06/2011 17h55, última modificação 15/06/2011 19h06
Economista descarta ameaça inflacionária relacionada a campanhas salariais do segundo semestre

Sindicalistas prometem cobrar reposição da inflação nas campanhas salariais do segundo semestre (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil - Arquivo)

São Paulo – O coordenador do Grupo de Análises e Previsões do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Roberto Messemberg, descarta o risco de as negociações salariais do segundo semestre ameaçarem o controle da inflação. Durante a apresentação do boletim Conjuntura em Foco, nesta quarta-feira (15), no Rio de Janeiro, Messemberg lembrou que a alta de preços acumulada nos últimos 12 meses deve tornar "duras" as negociações.

Centrais sindicais também rechaçam a associação. Segundo os sindicalistas, a associação entre aumento de rendimentos dos trabalhadores e a inflação é uma visão "retrógrada" de economistas e setores da mídia. 

"As empresas não terão muito espaço para repassar (possíveis reajustes) para preços (ao consumidor) porque as companhias que tentarem fazer isso serão punidas pela demanda em desaceleração (redução no ritmo de crescimento da economia)", disse Mesemberg. Apesar de prever mesas duras entre empresários e trabalhadores, ele considera normal o processo de negociação. "Não vão emperrar o país nem, tampouco, levar a um estouro incontrolável da inflação", pontuou.

O economista do Ipea defendeu que a perspectiva de desaceleração da inflação, com queda de preços de alimentos in natura, matérias-primas agrícolas e combustíveis – especialmente o etanol –, deve ser levada em conta por empresários e sindicalistas. No segundo semestre, têm data-base categorias como bancários, metalúrgicos, químicos e petroleiros.

De acordo com o boletim, "a trajetória de alta da inflação encontrará uma inflexão". Em maio, houve queda de preços de commodities no mercado internacional. Embora a mudança tenha sido percebida no Brasil apenas por atacadistas, a redução deve alcançar preços no varejo nos próximos meses.

Com informações da Agência Brasil