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Bancos precisam uniformizar práticas trabalhistas, dizem sindicalistas

Representantes de 20 países discutem os princípios de um acordo global com o HSBC e com o Santander. E criticam desrespeito a direitos sociais
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado , última modificação 17/03/2010 14h35
Representantes de 20 países discutem os princípios de um acordo global com o HSBC e com o Santander. E criticam desrespeito a direitos sociais

Lançamento da campanha mundial “Banking on workers' rigths in Santander and in HSBC”. Na foto, o presidente do Sindicato dos Bancários de SP, Luiz Cláudio Marcolino (Foto: Jailton Garcia/Seeb-SP)

São Paulo - Representantes de sindicatos de 20 países, das Américas, Europa e Ásia, começaram nesta quarta-feira (17) a discutir as condições para firmar um acordo global com o HSBC e o Santander. Eles criticam a diferença entre as práticas trabalhistas nas diversas regiões e afirmam ser possível – e positivo para os dois lados – definir direitos básicos que podem ser observados em todos os locais, independentemente da legislação. "O que vamos fazer? Uma negociação da cada vez em cada país ou linhas globais de negociação?", questionou o presidente da UNI Global Union (associação internacional de sindicatos), Oliver Roethig. "O capital já se organiza globalmente. Eles discutem orçamentos globais e desenvolvem campanhas globais, enquanto há países que sequer têm direito a ter sindicato", lembrou o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, também vice-presidente da UNI Finanças.

Segundo a UNI Global, os dois bancos expandiram bastante as suas operações nos últimos anos, inclusive em países"onde a cultura corporativa e ambiente legal" impedem ou restringem os direitos sociais. "Não se trata de uma negociação coletiva planetária, mas de respeito a direitos sociais", observou o secretário-geral da UNI Américas, Raul Requena. "É um acordo de princípios. Queremos estabelecer relações sólidas de diálogo", acrescentou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro. "Nos Estados Unidos, você não tem nem o direito de organização sindical, que dirá o direito de negociação coletiva."

O Santander já aceitou iniciar conversações. "É um bom começo", diz Rita Berlofa, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e coordenadora da Rede dos Trabalhadores do Santander na América pela UNI Finanças e pela Coordenadora de Centrais Sindicais no Cone Sul. Em termos globais, a maior resistência à negociação parece vir do HSBC. "A recusa do banco em se reunir com a UNI Global Union é um forte sinal de que o direito dos bancários não é prioridade para o HSBC", diz Roethig. Presente à abertura do encontro, o diretor do HSBC Antonio Carlos Schwertner disse que "este é o ano das relações sindicais" para o banco no Brasil, e que a formação será uma das prioridades. Ele afirmou ainda que o foro de discussão sobre acordos internacionais está na direção regional do HSBC na América Latina, no México, e na direção central, em Londres.

O presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, defendeu as chamadas contrapartidas sociais e o respeito às convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). "A crise atacou a imagem do sistema financeiro como um todo", afirmou, lembrando que isso aumenta a necessidade de iniciativas para melhorar as relações trabalhistas.

O encontro vai até esta quinta-feira (18). A partir das 8h, os bancários devem realizar uma atividade no Centro Administrativo Santander, em Santo Amaro (zona sul de São Paulo), em defesa do acordo global. Também está prevista, para as 10h, uma reunião com representantes da área de recursos humanos do HSBC.

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