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SP: bancários protestam contra Santander na Bovespa

Dirigentes sindicais e trabalhadores temem que mais de R$ 14 bilhões, captados pelo Grupo Santander no mercado brasileiro, terminem na Espanha
por Redação da RBA publicado , última modificação 07/10/2009 17h30
Dirigentes sindicais e trabalhadores temem que mais de R$ 14 bilhões, captados pelo Grupo Santander no mercado brasileiro, terminem na Espanha

Bancários protestam contra intransigência de banqueiros e pela possibilidade de recursos brasileiros serem enviados para o exterior (Foto: Seeb-SP/Roberto Parizotti)

O Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região  realizou um protesto em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), nesta quarta-feira (7), enquanto o presidente do Grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa, participava do lançamento oficial de R$ 14,1 bilhões em ações, a maior oferta pública inicial da história da Bovespa e a maior oferta de ações do mundo em 2009. A maior operação de estreia no mercado acionário brasileiro até então tinha sido a da VisaNet, de R$ 8,4 bilhões, no final de junho.

“Na prática isso quer dizer que o Santander colocou R$ 14 bilhões nos seus cofres”, explica o diretor do sindicato e funcionário do banco, Paulo Salvador.

O banco anunciou que vai usar este dinheiro para abrir 600 agências no país nos próximos quatro anos e fortalecer o crédito imobiliário. “Seria interessante saber como o Santander pretende competir com a Caixa Federal no crédito imobiliário. A Caixa é líder disparada nesse segmento e acaba de lançar um programa que vai financiar 1 milhão de residências”, disse, fazendo referência ao programa Minha Casa Minha Vida, que prevê o financiamento para construção de moradias direcionado para praticamente toda a população, em todas as faixas de renda.

“Também estranhamos esse número espalhafatoso de 600 agências a serem abertas, considerando que nunca tinha se falado nisso e que o Santander é o banco brasileiro que mais demite. E os antecedentes de promessas não cumpridas pelos dirigentes desse banco somam-se às razões para ficarmos com um pé atrás”, afirma.

Rita Berlofa, também diretora do Sindicato e bancária do Santander, acrescenta que há perigo de boa parte dos R$ 14 bilhões acabarem indo para a Espanha. “A gente viu no ano passado o banco prever um lucro de R$ 4 bilhões em setembro e depois anunciar um lucro de R$ 2 bilhões em 2008, sem explicar onde tinha ido parar o restante. Depois mandou para a Espanha R$ 3 bilhões, sangrando do país todo o lucro anunciado e mais um tanto”, disse.

Para ela, a situação complicada da economia espanhola pode ser um incentivo a mais para o envio do dinheiro para a Europa. “A crise ainda está forte por lá e o Santander tem problemas sérios para resolver, como por exemplo o fundo fraudulento gerido pelo ex-presidente da Nasdaq Bernard L. Madoff, que deixou um buraco de US$ 3,1 bilhões. Vamos ficar em cima e fiscalizar os desdobramentos”.

Histórico

A primeira grande aposta do Santander no mercado brasileiro aconteceu com a compra do banco paulista Banespa, quando de sua privatização no final de 2000. Em 2007, o banco adquiriu o ABN Amro Real, ampliando sua posição no país.

Nos seis meses de 2009, encerrados em junho, a unidade brasileira do banco espanhol representou mais de 20% do lucro líquido do grupo e 53% do ganho na América Latina.

Com informações do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e Reuters

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