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Para empresários, redução de jornada não produz novas vagas

CUT contesta cálculos da Confederação Nacional da Indústria, que aponta aumento de custos e prejuízos para as empresas
por anselmomassad publicado , última modificação 08/07/2009 11h41
CUT contesta cálculos da Confederação Nacional da Indústria, que aponta aumento de custos e prejuízos para as empresas

O avanço em direção à votação no plenário do Congresso da Proposta de Emenda Constitucional 321/95, que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais provoca reação dos empresários. Na avaliação da Confederação Nacional da Industria (CNI) a diminuição das horas trabalhadas, sem cortes nos salários não vai abrir novas vagas.

Ao contrário da conclusão de um  estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), segundo o qual a aprovação da medida resultará na criação de pelo menos 2 milhões de vagas, a CNI afirma que isso não vai acontecer.

O gerente de relações de trabalho da CNI, Emerson Casali, afirma que o resultado será aumentos nos custos de produção. "Ela vai implicar um aumento de custos significativo no fator trabalho e não vai ter os efeitos propugnados, que é justamente a geração de emprego", opina Emerson Casali.

O Secretário Geral da Central Única dos Trabalhadores, Quintino Severo, afirma que o aumento do custo da produção com a aprovação da PEC já está calculado e que ele será diluído em no máximo seis meses.

"O argumento que os empresários têm utilizado está completamente desatualizado da realidade brasileira, porque nos últimos 15 anos o crescimento de produtividade no Brasil foi cerca de 150%", sustenta Quintino Severo. "Portanto, o ganho que os empresários em função da produtividade não justifica qualquer argumento agora de que a redução da jornada poderá aumentar o custo da produção", completa.

"Temos uma avaliação feita pelo Dieese de que o custo que aumentaria em apenas 2% e, no máximo em seis meses, dado o crescimento da produtividade, esses custos desapareceriam completamente", reforça.

Na semana passada a Proposta de Emenda Constitucional  321/95 foi aprovada na Comissão Especial de Redução da Jornada da Câmara. Ela continua a ser debatida no Congresso Nacional e a CUT e as demais centrais de trabalhadores esperam que ela entre em votação ainda este ano.