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Cortar juros daria mais competitividade que desonerar folha de pagamento, diz economista

Ademir Figueiredo, coordendor de Estudos e Desenvolvimentos do Dieese, lembra que discussão é recorrente e que o debate precisa assegurar o financiamento da Previdência, o principal programa social brasileiro
por anselmomassad publicado , última modificação 08/07/2009 18h10
Ademir Figueiredo, coordendor de Estudos e Desenvolvimentos do Dieese, lembra que discussão é recorrente e que o debate precisa assegurar o financiamento da Previdência, o principal programa social brasileiro

Desoneração da folha de pagamento precisa assegurar financiamento da Previdência, que atende a 25 milhões de brasileiros (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

A taxa de juros no Brasil compromete mais a competitividade internacional das empresas brasileiras do que os custos da folha de pagamento. Para Ademir Figueiredo, coordendor de Estudos e Desenvolvimentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o debate sobre desoneração de encargos sociais envolvidos na contratação precisa levar em conta a importância do financiamento da Previdência, o principal programa social do país.

A discussão é recorrente e foi retomada no contexto de desaceleração da economia por declarações do ministro da Fazenda Guido Mantega ao jornal Financial Times. Mantega afirmou que há estudo do governo federal para reduzir encargos das empresas para a Previdência Social sem "sem infringir os direitos trabalhistas". Ele não explicou quais seriam as medidas.

"É muito difícil falar, porque o tema aparece de forma genérica", pondera Ademir Figueiredo. "O governo deve, em algum momento, chamar o movimento sindical para conhecer essa proposta", avisa. Segundo ele, o diálogo com os representantes dos trabalhadores tem sido garantido com o Executivo em outros temas, incluindo a redução da jornada de trabalho.

O coordendor de Estudos e Desenvolvimentos do Dieese lembra ainda que existe uma série de outros mecanismos que são importantes para incentivar a produção. "O custo da mão-de-obra não é tão cara, não é ela que determina a falta de competitividade. Os juros no brasil continuam dos mais altos comparativamente ao do mercado internacional, é isso tira a competitividade", pontua.

Uma das preocupação apresentadas por Ademir Figueiredo no debate diz respeito à necessidade de garantias de sustentação da seguridade social no Brasil. Mesmo lembrando que ninguém é contra a desoneração, ele considera fundamental que se assegure o financiamento do programa que alcança 25 milhões de brasileiros diretamente com aposentadorias, pensões e outros benefícios.