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Às vésperas de congresso da Unisol, cooperativas ganham linha de crédito

Unisol Brasil vai reunir 600 pessoas nos dias 6 e 7 de julho, em São Bernardo, para discutir comercialização, crédito, marco regulatório e políticas públicas, entre outros temas
por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado 29/06/2009 15h54, última modificação 29/06/2009 16h55
Unisol Brasil vai reunir 600 pessoas nos dias 6 e 7 de julho, em São Bernardo, para discutir comercialização, crédito, marco regulatório e políticas públicas, entre outros temas

O 2° Congresso Nacional da Unisol Brasil será realizado nos dias 6 e 7 de julho, no Pampas Palace Hotel, em São Bernardo do Campo, logo depois do anúncio de uma boa notícia: a liberação de uma linha de crédito de R$ 200 milhões para empresas cooperadas pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Estão confirmadadas as participações dos ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência da República) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e mais 600 pessoas envolvidas com o cooperativismo em todo o país.

Também haverá delegações de parceiros internacionais da Itália, Holanda, Espanha, Candadá e Mercosul. A Unisol, central das cooperativas, representa 25 mil trabalhadores, numa iniciativa de 430 empreendimentos autogestionados, que representou em 2008 faturamento de R$ 1,2 bilhão.

Para 2009, a expectativa é faturar ainda mais: R$ 1,5 bilhão. "A crise passou batido pela gente. Não podemos esquecer que as cooperativas sempre nascem a partir de um momento de dificuldade. Então, estamos acostumados", declara o assessor técnico da entidade, Alexandre Antonio da Silva.

Também vão participar do congresso o presidente da CUT, Artur Henrique, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, Fundação Banco do Brasil, Secretaria Nacional da Economia Solidária, Secretaria Geral da Presidência da República do Brasil, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Rede Unitrabalho, Sebrae nacional e Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Diadema.

Os convidados internacionais são a ICCO (Holanda), Red Del Sur (Argentina, Uruguai e Paraguai), Fesalc, Conosud e MCC (Espanha), Região da Emilia Romagna, CGIL, CISL, COSPE / NEXUS, ISCOS , Lega delle Cooperative (Itália) e CSN (Canadá).

Na pauta do encontro, oito temas: crédito, marco regulatório, formação (técnica e política), comercialização, políticas públicas, tecnologias sociais, redes de cadeias produtivas e relações internacionais.

Estrutura

A Unisol Brasil, criada há 12 anos, trabalha para fortalecer cooperativas e empreendimentos autogestionados. Viabiliza parcerias para a realização de projetos, abre as portas para os trabalhadores.

DOs 430 empreendimentos autogestionados (cooperativas, associações e outras formas de autogestão) em atuação hoje no País - a maioria nos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul -, 25 são de empresas recuperadas (que vieram de massa falida) e 60% são cooperativas, que têm a maior fatia do setor em número de trabalhadores.

Do ponto de vista social, as cooperativas de reciclagem, 50 no país, são os maiores empreendimentos. Elas abrangem coleta seletiva e propiciam a redução do custo com aterros sanitários. Empregam detentos, ex-detentos, pessoas em desvantagem social e propiciam o desenvolvimento local.

Já do ponto de vista econômico, há 25 empreendimentos, que nasceram a partir da falência de grandes empresas no início da década de 1990, quando se deu a abertura de mercado no governo Collor.

Os menores empreendimentos são as cooperativas de artesanato. Porém, para as regiões onde elas se localizam a importância do negócio ganha outras proporções, como é o caso das rendeiras do Ceará.

História

O Projeto Unisol Brasil começou a ser desenhado em 1996, quando o então presidente de honra do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva, visitou entusiasmado uma experiência de cooperativas na Itália. Na volta, de um encontro com Luiz Marinho, que exercia a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, surgiu a ideia de transformar a Conforja, forjaria de Diadema que estava falida, em cooperativa. A iniciativa deu tão certo que a empresa é administrada pelos trabalhadores há dez anos. Tem 700 cooperados e faturou R$ 240 milhões em 2008. Na folha de pagamento, nenhuma discrepância. O piso salarial é de R$ 1.800 e o teto, de R$ 7 mil.

Crédito 

Segundo o presidente da Unisol Brasil, Arildo Mota Lopes, o crédito do BNDES tem objetivo de capitalizar a economia solidária. A Unisol oferece duas linhas de crédito aos seus cooperados. O Investimento Não Retornável é para as iniciativas menores, sem sede nem recursos. Aquelas que só têm organização e força de trabalho, como é o caso das mulheres que produzem renda no Nordeste.

Para os empreendimentos já constituídos, de médio porte, que produzem com dificuldade, a Unisol Finanças empresta recursos com taxas de juros de 1,9% ao mês. Nesse segmento são movimentados R$ 3 milhões por mês. Dos cooperados que ingressam são cobradas uma taxa de R$ 200 e garantias. "Queremos aumentar essa oferta para R$ 30 milhões", afirma o presidente da Unisol.

Para os maiores empreendimentos, a recomendação da Unisol Brasil é recorrer ao BNDES. A construção da linha disponível foi feita pela Unisol Brasil, Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão (Anteag), BNDES e Ministério do Trabalho e Emprego. Para acessar os recursos, os empreendimentos devem estar com a documentação em dia, têm de ter gestão e autogestão.

Marco regulatório

As entidades representativas das cooperativas estão lutando pela quebra da unicidade e pela livre representação dentro da discussão sobre a modernização da lei geral do cooperativismo. Arildo Mota Lopes, conta que o presidente Lula recomendou três projetos de lei para avançar nessa discussão. A Unisol Brasil defende que se possa formar uma cooperativa com um mínimo de sete pessoas. A lei atual exige 20. "O setor precisa de mais segurança jurídica e menos burocracia", explica Lopes.

Políticas Públicas

A Unisol entende a economia solidária enquanto políticas públicas para o desenvolvimento. "Não basta criar programas em qualquer esfera. É preciso instituir política públicam, independente de partido político, algo que valha para sempre. Precisamos de leis que beneficiem o setor de reciclagem que, em fase inicial, tenham isenção de tributos", diz Lopes.

Comercialização

Todo o movimento de economia solidária tem gargalos, como o crédito e a legislação, por exemplo. "Mas o gargalo ferrenho é a comercialização. O empreendimento produz e precisa de crédito. Mas alguns não sabem nem precificar os produtos", afirma Lopes. Para fortalecer toda a economia solidária é preciso trabalhar em rede, fortalecer as cadeias produtivas. Sem isso, dificilmente os empreendimentos terão sucesso, observa o presidente da Unisol.

 


PROGRAMAÇÃO DO CONGRESSO DA UNISOL BRASIL

6 DE JULHO
9h –Abertura Institucional do Congresso - Arildo Mota Lopes, presidente da UNISOL Brasil
9h30 – Mesa 1 - Estratégias e Ações de Acesso ao Crédito para os Empreendimentos Autogestionários
10h30 – Mesa 2 - Relações Internacionais: Cooperação Internacional e Comercio Exterior
11h30 – Mesa 3 - Comercialização, Setoriais e Cadeias Produtivas dos Empreendimentos de Economia Solidária
12h30 – Mesa 4 - Aspectos do Marco Jurídico para as Cooperativas no Brasil
13h30 – Almoço
14h30 – Grupo de Trabalho por Setoriais - Metalurgia, Apicultura, Confecção, Reciclagem, Artesanato, Construção Civil, Fruticultura, Cooperativas Sociais, Grupos sem Setoriais
17h – Apresentação dos Trabalhos em Plenária
18h – Leitura e apreciação do Regimento Interno do Congresso
18h30 – Encerramento das Atividades do dia e Coquetel de Abertura Oficial com Apresentação Cultural
19h – Abertura Oficial
                       
7 DE JULHO
9h – Balanço da Gestão 2006/2009
10h30 –Sustentação política e financeira da Unisol Brasil
11h –Adequação estatutária da Unisol Brasil / Debate em plenária
13h – Almoço
14h –Processo para eleição da nova diretoria e conselhos da UNISOL Brasil
16h – Mesa de encerramento
17h45 – Posse da Nova Diretoria e Encerramento do Congresso
 
 
 

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