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Mais de 200 morrem na Síria antes de votação na ONU

Por: Mariam Karouny e Stephen Brown

Publicado em 04/02/2012, 09:57

Última atualização às 09:57

Beirute - As forças sírias mataram mais de 200 pessoas em um ataque na cidade de Homs, disseram ativistas, no dia mais sangrento de onze meses de levantes contra o presidente Bashar al-Assad, antes da votação de uma resolução da ONU, neste sábado (4), pedindo que Assad deixe o poder.

A Liga Árabe, a Europa e os Estados Unidos estão tentando persuadir a Rússia, que tem poder de veto e é aliado de Assad, a deixar que o Conselho de Segurança aprove uma resolução que apoia um pedido árabe para que Assad transfira os poderes a um vice. Moscou disse que a aprovação da resolução sem emendas podia significar "tomar lado em uma guerra civil".

O número de mortos citados por ativistas e grupos da oposição variava de 217 a 260, tornando o ataque a Homs o mais fatal até agora na repressão de Assad aos protestos e um dos episódios mais sangrentos na "Primavera Árabe" de revoltas que varreu a região.

Moradores disseram que as forças sírias começaram o bombardeiro no bairro de Khalidiya por volta das 20h (horário local) de sexta-feira, usando artilharia e morteiros. Eles disseram que pelo menos 36 casas foram completamente destruídas com famílias dentro.

"Estávamos sentados dentro de nossa casa quando começamos a escutar o bombardeio. Sentimos que balas estavam caindo nas nossas cabeças", disse Waleed, um morador de Khalidiya. "A manhã chegou e descobrimos mais corpos, corpos nas ruas", afirmou. "Alguns ainda estão debaixo dos destroços, nossa movimentação está melhor, mas existe pouco a fazer sem ambulâncias e outras coisas".

Um ativista no bairro contatado pela Reuters disse que os moradores estavam usando ferramentas primitivas para resgatar as pessoas. Eles temiam que muitos estivessem enterrados nos escombros.

"Não estamos conseguindo nenhuma ajuda, não há ambulâncias nem nada. Estamos retirando as pessoas com nossas próprias mãos", disse, acrescentando que havia apenas dois hospitais tratando dos feridos. Cada um com uma capacidade para ldiar com 30 pessoas, mas ele estimava o número total de feridos em 500. "Até agora desenterramos pelo menos 100 corpos, eles estão em duas mesquitas".

Um outro morador de Khalidiya, falando por telefone com gritos de "Allahu akbar" (Deus é grande) ao fundo, disse que pelo menos 40 corpos foram retirados das ruas e de prédios danificados. A Síria negou ter bombardeado a área e disse que o vídeo na Internet de corpos eram falsos. Não é possível verificar relatos da mídia estatal nem de ativistas, já que o governo sírio restringe o acesso da mídia independente.

O Conselho de Segurança deve se reunir às 13h (horário do Brasil). O ministro russo das Relações Exteriores deixou claro que Moscou vetaria a resolução se essa fosse apresentada sem emendas, como havia exigido.

"Se eles querem outro escândalo para eles mesmos no Conselho de Segurança, então nós provavelmente não podemos impedi-los", disse Sergei Lavrov em uma entrevista, segundo a agência de notícias Itar-Tass.

Lavrov depois disse em uma conferência de segurança em Munique: "Não estamos dizendo que essa resolução é sem esperança". A principal objeção da Rússia era que a resolução continua medidas contra Assad, mas não contra grupos armados que se opõem a ele. "A menos que você faça das duas maneiras, você está assumindo uma posição em uma guerra civil", disse Lavrov.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, disse à conferência: "Enquanto um tirano em Damasco brutaliza seu próprio povo, a América e a Europa ficam lado a lado. Estamos unidos, junto com a Liga Árabe, para exigir um fim ao derramamento de sangue e um futuro democrático para a Síria".

"E temos esperança que... o Conselho de Segurança irá expressar o desejo da comunidade internacional", disse ela.

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