Wikileaks: Para EUA, Veja teve motivação política ao acusar relação entre PT e Farc
Embaixadores avaliaram que a publicação exagerou na dose em denúncia publicada em 2005
Por: Thaís Romanelli
Publicado em 25/08/2011, 15:18
Última atualização às 15:18
São Paulo - No dia 16 de março de 2005, a revista semanal Veja publicou a matéria
"Os Tentáculos das Farc no Brasil", em que detalhava uma possível
relação entre membros do PT (Partido dos Trabalhadores) com a guerrilha
colombiana. O caso, porém, foi relatado pela embaixada dos Estados
Unidos em Brasília como um exagero, além de uma tentativa de "manobra
política". O documento da embaixada com o relato foi divulgado pelo Wikileaks.
Segundo a matéria, candidatos petistas teriam recebido 5 milhões
de dólares da guerrilha durante uma reunião no ano de 2002, em uma
fazenda próxima a Brasília. Na ocasião, membros do PT teriam se
encontrado com o representante da organização colombiana no país,
Francisco Antonio Cadenas, e acertado os detalhes. O objetivo seria
financiar a campanha de reeleição do ex-presidente do Brasil, Luiz
Inácio Lula da Silva (2003-2010).
O partido, porém, negou as acusações e a Veja não conseguiu provas documentais sobre a transferência de dinheiro.
Para embaixada norte-americana, a revista "exagerou o real nível
das relações entre as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e
o PT", segundo o documento datado de março de 2005. Isso porque, após
as acusações, membros da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em
Brasília, que de acordo com a revista, estavam infiltrados no encontro,
não obtiveram provas concretas sobre o recebimento de dinheiro.
Citado pela embaixada norte-americana, o general Jorge Armando
Felix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Abin e
que acompanhou a investigação, afirmou que os documentos internos da
agência citados pela Veja como provas foram "forjados", já que não
estavam nas formatações da agência.
"O que foi publicado é uma mistura de meias verdades e meias
mentiras. Nós não temos qualquer documento oficial que prove que o
encontro ocorreu", afirmou o delegado e chefe da Abin, Mauro Marcelo,
também citado no despacho.
No documento, fica explícito o estranhamento do embaixador
norte-americano em relação a demora de três anos para divulgação do
possível financiamento. "A história mais parece uma manobra política. O
que é incontestável é que os membros do PT e representantes das Farc
estiveram juntos em um encontro, mas não há provas de colaboração
financeira", disse.
Para ele, o que deveria ser uma denúncia importante tornou-se uma
ferramenta arquitetada pela Veja para minar a candidatura de Lula ao
segundo mandato. "Enquanto os opositores e a outros veículos de
comunicação estão notavelmente desinteressados em prosseguir com as
acusações e investigações, parece que a Veja está exagerando os fatos",
conclui o embaixador.
Fonte: OperaMundi
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