Acompanhe as novidades do site da Rede Brasil Atual
Notícias
Ambiente
Cidadania
Cultura
Economia
Internacional
Política
Saúde
Trabalho
Viagem
Blog do Velho Mundo
Blog Curta Essa Dica
Rádio Brasil Atual
Jornal Brasil Atual
Educação
Cidades
Tecnologia

ELT é “apaixonante”, diz aprendiz
Escola Livre de Teatro de Santo André luta por retomada da autonomia e recebe apoio de artistas, escritores e coletivos teatrais de todo o país
Por: Thiago Domenici
Publicado em 18/09/2009, 11:00
Última atualização em 22/09/2009, 11:59
Manifestação por autonomia de escola em Santo André (Foto: Lucas Duarte de Souza)
Caio Zanuto, 32, é aprendiz do núcleo de formação do ator da Escola Livre de Teatro (ELT) desde 2007. “A escola foi um achado, pelo clima, prazer e trocas democráticas”, revelou durante o protesto pacífico desta quinta-feira (17), no plenário João Raposo Rezende Filho, na câmara municipal de Santo André, que reuniu mais de 100 aprendizes da ELT, a maioria jovens e entusiastas do projeto nascido há 17 anos.
Os aprendizes pedem a volta do ambiente de autonomia “pautado pela amizade, experimentação e democracia” e que transformou-se há oito meses com a chegada da coordenadora administrativa Eliana Gonçalves – funcionária da Secretaria de Cultura e amiga de infância e indicação do prefeito da cidade, Aidan Ravin.“Não há conversa com ela, sempre ausente ou tomando atitudes por conta própria sem consultar aprendizes e mestres”, acusou Zanuto.
Ainda do lado de fora, pouco antes dos jovens artistas Lílian Cardoso e Mário Augusto Simões discursarem aos parlamentares sobre os dramas da ELT, foram distribuídos por outros aprendizes galhos de arruda aos que passavam. Faixas foram erguidas no plenário da câmara. “Viva a ELT”, expressava uma delas.
>> ELT divulga manifesto de repúdio
>> Demissão na ELT pode ter motivação política
>> Prefeitura responde às reivindicações da ELT em carta oficial
>> Escola Livre de Teatro em Santo André vive drama e pede "volta da autonomia"
>> Veja o blog do movimento ELT em Alerta
>> Deixe seu recado para a ELT
Palmas efusivas e o hino da ELT após os discursos dos aprendizes que pediam apoio dos parlamentares marcaram o que vinha sendo, até então, um dia modorrento na casa legislativa de Santo André.
Vereadores sorriram quando a turma da ELT gritou três vezes em uníssono “Evoé”, expressão que traduz entusiasmo, exaltação e intensa alegria.
A aprendiz Carolina Splendore declara-se uma apaixonada pela ELT. “É um universo novo que me foi apresentado e é até difícil de explicar o tanto que essa pedagogia da autonomia é apaixonante”, diz, para, em seguida, afirmar que isso não pode acabar. “A legitimação de um cargo de coordenador administrativo ou prefeito não é autorização para medidas arbitrárias”, protesta.
A ELT possui uma média de 200 alunos, 19 professores, 11 núcleos de formação que vão da formação de ator e teatro laboratório ao circo, pedagogia, direção, teatro de rua, linguagem da máscara e outros.
Personalidades como Maria Alice Vergueiro ("Tapa na Pantera"), o jornalista e apresentador do CQC, Marcelo Tas, Antônio Feltrin (novela "Pantanal"), Leona Cavalli (filme "Amarelo Manga") já demostraram apoio aos mestres e aprendizes da ELT que recebeu nos últimos dias manifestações positivas de todo o país.
Assembléias democráticas
A ELT tem por tradição histórica realizar assembleias mensais com toda a comunidade artística de mestres, aprendizes e funcionários para a exposição de ideias e encaminhamentos gerais. “A Professora Eliana sempre foi ausente deste espaço. Simplesmente ignorava, não havia nenhum tipo de interesse da parte dela de entender que projeto é esse, reconhecido para além das fronteiras de Santo André”, explica o ex-coordenador pedagógico Edgar Castro, demitido pelo diretor de cultura, Pedro Botaro, que segundo Castro, alegou “falta de afinação” com Eliana, coordenadora administrativa da Escola.
“A Escola Livre de Teatro é um espaço de dignidade. Um espaço onde as pessoas são ouvidas, onde o indivíduo é estimulado na sua formação a se colocar de forma dialógica em relação ao outro. A ELT, como disse o Marcelo Tas em seu blog, deveria ser tratada como uma jóia, porque é isso que ela é”, diz Castro, há 11 anos atuando como mestre da ELT.
Caio Zanuto dá exemplos de como são as assembleias mensais. “Temos lá a Dona Bete, responsável também pela limpeza, que reclamou em assembléia da falta de pano para a atividade. Na reunião seguinte a ‘entrada’ de cada aprendiz foi um pano de limpeza e agora temos material até o final desse ano”, brinca. “Papel higiênico foi a mesma coisa", diz.
Em outro episódio, relembra. “Uma vez os ânimos estavam meio alterados e um dos aprendizes pediu a palavra e disse que queria ficar em silêncio um pouco. 100 pessoas em silêncio, respeitando o pedido do colega e a coisa acalmou, foi muito bonito”, finaliza o aprendiz de circo que também faz parte do Coletivo Ativismo ABC.
Bookmark & Share:
Ações do documento