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Protesto de moradores do Jardim Pantanal termina com promessa de reunião na 6ª e conflito com PM

Início da manifestação foi marcado por confronto entre PM e moradores. Policiais militares jogaram gás de pimenta em parlamentares, moradores e jornalistas

Por: Suzana Vier e Jéssica Souza, Rede Brasil Atual

Publicado em 08/02/2010, 13:40

Última atualização às 13:40

Protesto de moradores do Jardim Pantanal termina com promessa de reunião na 6ª e conflito com PM

PM reprimiu moradores das áreas alagadas da zona leste de SP. O deputado federal Carlos Zarattini (camisa branca e óculos) e o vereador Zelão (camisa verde e branca) foram alvo de gás pimenta (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

São Paulo - Uma comissão de moradores do Jardim Pantanal esteve reunida nesta segunda-feira (8) com o secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, Antonio Carlos Rizeque Malufe. Há exatos dois meses a região tem boa parte das ruas alagadas.

De acordo com um dos líderes dos moradores do Jardim Pantanal, Ronaldo Delfino de Souza, a reunião foi improdutiva. "O secretário não tinha ideia do que está acontecendo nas áreas alagadas. Ele  imaginava que todos os problemas estivessem resolvidos, como assistência médica e habitação", disse.

Os moradores saíram da sede da prefeitura com o compromisso de uma nova reunião para esta sexta-feira (12), à tarde.

Antes, o senador Eduardo Suplicy (PT) adiantou aos moradores que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) comprometeu-se a realizar duas audiências: uma geral sobre as enchentes e outra específica com moradores do Jardim Helena, distrito mais atingido na zona leste da capital paulista. O senador participou de inauguração de biblioteca no Carandiru com o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), quando solicitou as audiências ao prefeito.

Suplicy foi o último político a chegar ao local e subiu para a reunião com um pote com água suja trazida pelos moradores. Vários parlamentares já estavam no local. 

Cerca de 500 pessoas participaram de um protesto em frente à sede da administração municipal. Dentre as reivindicações, os moradores pediram o desassoreamento do rio Tietê, a abertura imediata das barragens e uma negociação sobre os problemas de habitação, já que parte dos moradores recusa o bolsa-alugel proposto pela prefeitura.

Conflito

Zelão
Vereador mostra braço machucado por cassetetes,quando tentava entrar na prefeitura para reunião sobre áreas alagadas (Foto: Suzana Vier/RBA)

Moradores e parlamentares criticaram a ação de policiais militares que acompanhavam a manifestação.  "Se não me defendo com o braço, teria recebido várias cacetadas na cabeça", lamentou o vereador Zelão (PT).  O deputado federal Carlos Zarattini (PT) foi atingido com gás de pimenta durante confronto entre a Polícia Militar e manifestantes (veja imagem acima). 

O deputado federal Ivan Valente (PSOL) prometeu denunciar a "postura agressiva da PM".

De acordo com o Tenente-Coronel Orlando Taveiros, comandante da área central da capital paulista, um pequeno grupo de manifestantes se exaltou e a Polícia Militar reagiu com "meios não letais para dissuadir o pico de desordem".

2 meses de alagamento

"O retrato é de agonia e vergonha, as pessoas estão sendo vítimas de um planejamento urbano criminoso", disse Valente que também participou da reunião. Ele acredita que a situação dos bairros atingidos ainda deve piorar: "Depois de perder as casas, há ainda a leptospirose, que pode contaminar muita gente".

Para mostrar os problemas ocasionados com os alagamentos, algumas pessoas levaram potes de água suja e até cobras retiradas de suas casas. De acordo com uma agente de saúde do local, há residências com ninhos de cobra. "Quando a chuva chega, as cobras chegam junto. Quando o sol esquenta, as cobras saem e oferecem risco aos moradores." De acordo com ela, o esgoto sai pelo vasos sanitários, torneiras e pias.

"Meu marido está doente e fica na casa dos amigos. Só estou na minha casa alagada pois está havendo roubos", disse a moradora do Jardim São Martinho, Socorro Alexandre Reviario. Há 10 anos no local, ela disse que não quer deixar sua casa. "Espero que o prefeito tenha bom senso e faça doação de casas para as famílias." 

Eunice Rosa da Silva, moradora da Chácara Três Meninas, também estava em frente à prefeitura. Diz que enfrentou um alagamento com a água chegando perto de  1,60m.  "Meus filhos estão correndo risco, por isso não tenho ido trabalhar. Tenho medo que as águas subam e haja enchentes. Na minha casa chegou até o pescoço", afirma.

O vereador Francisco Chagas (PT) defendeu a desapropriação de prédios no centro de São Paulo para transferência dos moradores atingidos por enchentes. "Essa população precisa ser prontamente atendida. Há prédios desocupados no centro. A prefeitura pode recorrer a desapropriações", exemplifica.

 

 

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Comentários

PM

Me lembrei de um desenho que vi outro dia, em que um personagem, que era da polícia, falava "a lei não tem pode para te denfender, mas sim para te punir".
Postado por Caio em 14:09

o protesto foi valido, mas...

ver o deputado Ivan Valente de terno e gravata, do lado de dentro das grades colocas pela policia militar foi surreal!!!Enquanto isso o povo apanhava!!Uaí, o PSOL agora é burguês? coisa de louco!
Postado por Adriano em 11:07
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