Observatório mapeia cadeia do desmatamento ilegal
Estudo aponta empresas nacionais e estrangeiras que se beneficiam da madeira cortada irregularmente na Amazônia
Publicado em 30/06/2009, 16:54
Última atualização às 16:54
Durante nove meses, uma equipe de pesquisadores do Observatório Social percorreu 15 de mil quilômetros na região da Amazônia para traçar os caminhos percorridos pela madeira extraída ilegalmente da floresta até ser processada e incorporada a produtos dentro e fora do Brasil. O resultado do levantamento está na edição de junho de Observatório Social em Revista (clique aqui para ler).
A constatação é de que a maior parte da madeira da Amazônia é cortada ilegalmente sem qualquer plano de manejo sustentável. A partir do momento da derrubada, inicia-se um processo que maqueia a origem da matéria-prima até chegar às empresas. Dos clientes, fica oculta a informação de que trata-se de madeira ilegal.
"Muitas das empresas que compram a madeira do desmatamento detém selos de certificação ambiental e são vistas como empresas socialmente responsáveis", escreveu Valeir Ertle, diretor administrativo do Observatório e secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (Contracs). "Na prática, contudo, são financiadoras da devastação, pois compram madeira sem realizar uma rigorosa checagem da origem do produto e sem levantar o perfil dos seus fornecedores", lamenta.
Além de problemas ambientais, o Observatório constata a ocorrência de trabalho análogo à escravidão e ameaças à população indígena. As áreas próximas ao Parque do Xingu, no nordeste do Mato Grosso, são focos de tensão e desmatamento.
O levantamento apresenta o nome das 18 empresas multinacionais e cinco brasileiras que adquirem madeira extraída ilegalmente. Traz ainda os processos e consequências dessa exploração sem controle para o ambiente. As estratégias empregadas pelas madereiras são variadas. Segundo a publicação, ela inclui empresas-fantasma e créditos de exploração falsos e trocados. Com isso, estima-se que apenas 10% da madeira retirada e processada no Pará permaneça no Brasil. O restante é exportada principalmente para Estados Unidos, Europa e China. Quatro empresas de pecuária e três de soja são apontadas como promotoras de desmatamento.



Del.icio.us
Facebook
Twitter
Digg
Reddit




