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Saúde pública

Ricardo Barros diz que finge pagar os médicos, que fingem trabalhar

Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira rebatem "comentários pejorativos" do ministro da Saúde de Temer, famoso por frases polêmicas
por Redação RBA publicado 14/07/2017 10h15
Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira rebatem "comentários pejorativos" do ministro da Saúde de Temer, famoso por frases polêmicas
Beto Barata/BR
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Para ministro da Saúde de Temer, homens trabalham mais que as mulheres e brasileiro imagina que fica doente

São Paulo – Durante evento na manhã de ontem (14) em que anunciou investimentos de R$ 1,7 bilhão para qualificar e ampliar o atendimento à população, o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR) soltou mais uma de suas frases polêmicas, ao afirmar que "a biometria vai servir para que todos cumpram seus horários de trabalho. Vamos parar de fingir que pagamos médicos e os médicos vão parar de fingir que trabalham", referindo-se ao controle de frequência dos servidores que prometeu implementar nas unidades de saúde do país, além de inovações como prontuário eletrônico.

Em nota divulgada horas depois, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) rebateram os comentários do ministro (leia nota abaixo), que consideraram "pejorativos" e destacaram as dificuldades enfrentadas pelos profissionais de saúde que atuam no SUS.

Barros acumula frases polêmicas e preconceituosas desde que assumiu a pasta, em maio de 2016. Logo nos primeiros dias como ministro, disse que, devido ao grande número de procedimentos realizados de forma inadequada, levando a muitas mortes, o aborto é uma questão de saúde pública. E que desejava envolver representantes religiosos na discussão sobre o tema no Brasil.

Pouco tempo depois, disse que os homens procuram menos o atendimento de saúde porque "trabalham mais do que as mulheres e são os provedores das casas brasileiras". Disse ainda que é "cultura do brasileiro" só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos, e esse suposto "hábito" estaria levando a gastos desnecessários no SUS. 

Confira a íntegra da nota conjunta da CFM e AMB:

Diante da necessidade premente de união de esforços em torno da superação dos inúmeros problemas que afetam o Sistema Único de Saúde (SUS), são completamente inadequados os comentários pejorativos feitos por autoridades que se mostram desconectadas da realidade a respeito do trabalho dos profissionais da saúde, em especial dos médicos, bem como da própria dinâmica de funcionamento do SUS.

Frequentemente pacientes, médicos e demais profissionais da saúde são constrangidos por comentários feitos por gestores, inclusive do ministro Ricardo Barros, que distorcem as dificuldades enfrentadas pelo SUS, como ocorreu nesta quinta-feira (13), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Na incapacidade de responder aos anseios da população, transferem para as categorias da área da saúde, sobretudo para os médicos, a culpa pela grave crise que afeta a rede pública. No entanto, polêmicas infundadas não eximem o Estado de suas responsabilidades ou afasta a compreensão da falta da indispensável atenção administrativa.

Os brasileiros sabem disso. Pesquisa do Datafolha, realizada no fim do ano passado, comprovou que os médicos constituem a profissão que mais conta com credibilidade e confiança junto a população. Além disso, segundo os dados, a sociedade reconhece que a falta de estrutura de atendimento e a má gestão, entre outros fatores, impedem o pleno exercício da medicina, em favor dos pacientes e de seus familiares.

Apenas o trabalho articulado de gestores e de todos os setores envolvidos com essa crise, o que inclui os médicos e os demais profissionais da área, assim como a sociedade em geral, ajudará a trazer as respostas esperadas pelos brasileiros, em especial os 150 milhões que dependem exclusivamente do SUS.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) reiteram seu compromisso com o SUS e conclamam a todos que comungam do mesmo ideal, inclusive os gestores – nas esferas municipal, estadual e federal - a somarem esforços evitando contendas ou divisões, as quais somente afastam o País da oferta de uma saúde pública de qualidade para todos.

Brasília, 13 de julho de 2017.