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Gestão Doria vai explicar extinção do Jovem SUS ao Conselho Municipal de Saúde

Tucano quer fechar programa de acolhimento nas UBSs que melhorou o fluxo de atendimento e reduziu o número de reclamações na ouvidoria do SUS. Em março, serviço foi vitrine da gestão em congresso
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 11/07/2017 01h28, última modificação 11/07/2017 10h49
Tucano quer fechar programa de acolhimento nas UBSs que melhorou o fluxo de atendimento e reduziu o número de reclamações na ouvidoria do SUS. Em março, serviço foi vitrine da gestão em congresso
Edson Hatakeyama/PMSP
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Atuação do Jovem SUS melhorou o relacionamento e auxilia o tratamento: as informações dos usuários passadas pelos jovens influenciam a conduta dos médicos

São Paulo – A gestão João Doria (PSDB) deverá explicar ao Conselho Municipal de Saúde (CMS) de São Paulo as razões da extinção do programa Jovem SUS de acolhimento à população usuária de unidades AMA/UBS na capital paulista. A reunião do colegiado formado por representantes da prefeitura, de trabalhadores e de usuários do serviço público, que tem função consultiva e deliberativa, será nesta quinta-feira (13).

De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que enviou nota à redação da RBA,  a gestão Doria está aprimorando a prática do acolhimento nas diversas modalidades de atenção, o que inclui a revisão do programa Jovem SUS, em conformidade com a Política de Humanização. A SMS destacou ainda que a política não se resume ao Jovem SUS, e que a pasta está propondo "a revisão da política de acolhimento e de humanização mais integrada com as diretrizes da rede assistencial e com a nova política de eficiência e eficácia do município de São Paulo".

A revisão do serviço prestado por 550 jovens com idades entre 18 e 29 anos, que recebem auxílio mensal de R$ 983, 55 por uma jornada semanal de 30 horas, segue à risca as regras da condução das políticas de Doria: De surpresa e sem diálogo com as partes diretamente envolvidas e com a população.

Ataque

O tucano fez seu primeiro ataque ao Jovem SUS logo que tomou posse, cortando o vale-transporte, que não voltou a ser pago. Sem o benefício, a bolsista Aline Vieira, 21 anos, que ajuda no sustento da família e tem de tomar duas conduções na ida e duas na volta, tem um gasto de mais de R$ 200,00 só com transporte. 

No último dia 30, um e-mail recebido pelos gestores das unidades pegou todo mundo de surpresa. Segundo o comunicado, todos os bolsistas deveriam assinar o aviso de desligamento "impreterivelmente no mesmo dia", ficando eles "cientes de que vão trabalhar apenas até o fim de julho". A mensagem afirmava ainda que a descontinuidade do contrato não causará prejuízo ai atendimento aos munícipes nos serviços de saúde do SUS.

No entanto, a população não está de acordo com com os gestores municipais. Tanto que logo passaram a se manifestar por meio de abaixo-assinado contra o fim do Jovem SUS em todas as unidades.

O trabalho é bem avaliado pela conselheira do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedeca) de Sapopemba, Fabianne Tsuchida Bendazzoli. "O atendimento melhorou muito nas unidades depois que o trabalho começou. Eles auxiliam, apoiam, fazem toda a diferença. Já que a prefeitura fala tanto em cortes, precisamos acompanhar o que farão com os recursos do programa que vão economizar e que, aliás, estava previsto em orçamento aprovado para este ano", disse a conselheira.

Uma pesquisa da Prefeitura, divulgada em outubro passado, mostra que o Jovem SUS reduziu as reclamações na Ouvidoria em 32% e que as unidades de saúde que receberam os jovens foram melhor avaliadas pelos usuários. 

"Descobri um novo SUS depois que passei a atuar. Sei agora que muitas coisas não dependem dos servidores, e sim do sistema, e que a maior parte das queixas dos usuários se deve à falta de acolhimento", disse a bolsista Roberta Paulino, 20 anos, estudante de Serviço Social.

De acordo com ela, é grande a integração com os usuários, especialmente os mais idosos, que passaram a vir ao posto quase que diariamente, "mas para conversar", participar de atividades preventivas, como aulas de Tai Chi Chuan, e até festas. "A gente sabe muito da vida do usuário e isso é muito útil até para o tratamento médico", conta Roberta, de Itaquera. 

Vitrine

A própria prefeitura também elogia o trabalho. Tanto que fez do programa uma de suas vitrines ao apresentá-lo, no final de março, no 31º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS), que tinha como tema “Democracia: Em Defesa do SUS, Nenhum Direito a Menos”.

"Neste ano, os destaques foram os desafios da Ouvidoria, setor que conseguiu diminuir as reclamações de usuários em relação ao total de manifestações recebidas, a partir da implementação de melhoria de trabalho integrada a outras iniciativas como o Jovem SUS", destacou a Prefeitura em sua página oficial na internet.

Indignou ainda os bolsistas um dos anexos do e-mail de desligamento, no qual os jovens deveriam informar as razões do desligamento como se a iniciativa de deixar o programa fosse deles, e não uma medida unilateral da gestão.

 

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Houve ainda 150 integrantes do programa que foram assediados pelas chefias para assinar o desligamento, conforme disseram alguns dos bolsistas durante manifestação diante da Prefeitura, na semana passada, em defesa da manutenção do serviço.

Diante da pressão, representantes da gestão afirmaram suspender os desligamentos até uma nova reunião na SMS para decidir o caso, que ocorreu ontem (10).

O chefe de gabinete Daniel Simões de Carvalho Costa recebeu representantes dos bolsistas do Jovem SUS, do Conselho Municipal de Saúde, do sindicato dos servidores municipais de São Paulo (Sindsep) e do mandato da vereadora Juliana Cardoso (PT) saíram frustrados da reunião. E se desculpou, segundo a comissão, pelos desacertos na maneira como foi comunicado o fim do Jovem SUS.

"O programa deve mesmo terminar. A prefeitura disse que vai cumprir os contratos dos bolsistas e depois deve criar um outro, com outro nome, outro formato, com outros contratados", lamentou o bolsista Lincoln de Araújo, 24 anos, que participou da reunião e que espera que a prefeitura recue diante das pressões, como recuou do fechamento das farmácias que distribuem medicamentos dentro dos postos de saúde.

Na TVT

Moradora da Cidade Tiradentes, a bolsista Gislaine Barbosa de Souza disse à TVT que espera pelo cumprimento da promessa assumida por Doria no início do ano, quando disse que o projeto seria mantido pelo menos até dezembro. Confira: