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Filantrópicas

Em todo o país, pelo menos 90% das Santas Casas estão endividadas

A dívida dos 2.100 estabelecimentos ultrapassa os R$ 22 bilhões. Embora 90% dos pacientes sejam atendidos pelo SUS, as verbas federais cobrem apenas 60% dos custos
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 14/05/2017 12h50
A dívida dos 2.100 estabelecimentos ultrapassa os R$ 22 bilhões. Embora 90% dos pacientes sejam atendidos pelo SUS, as verbas federais cobrem apenas 60% dos custos
Arquivo/Portal Brasil
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Santa Casa de São Paulo, que em 2014 chegou a fechar o atendimento na emergência devido a problemas financeiros

São Paulo – O Brasil tem ao todo 2.100 Santas Casas. Desse total, apenas 10% tem situação financeira equilibrada. A maioria (90%) está endividada. O dado é da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB). A dívida total chega a R$ 22 bilhões. "Muitas só não fecharam por causa de festas, campanhas e vaquinhas para arrecadar recursos", conta o presidente da entidade, Edson Rogatti.

De acordo com ele, um estudo da assessoria econômica da Câmara dos Deputados mostra que a União custeia 60% das despesas de cada um desses hospitais, quando mais de 90% dos atendimentos são para pacientes que não podem pagar ou não têm convênio médico particular.

A situação, segundo Rogatti, resulta do congelamento da tabela SUS, que deixou de ser corrigida pelos governos anteriores. "Dia desses fui mexer numa papelada e vi que recebemos hoje o mesmo valor de 2008."

Segundo ele, o setor está discutindo com o governo uma nova fórmula de financiamento dos hospitais filantrópicos e Santas Casas, e não mais a partir a tabela SUS.

Na última quinta-feira (4), o governo de Geraldo Alckmin anunciou repasses da ordem de R$ 5,9 milhões em convênios, a maioria deles para Santas Casas. Na avaliação de Rogatti, que preside a Santa Casa de Palmital e também a federação paulista do setor, a transferência de recursos é um incentivo a mais, mas está longe de resolver.

Para Rogatti, a situação no estado de São Paulo é "um poquinho" melhor do que no resto do país. Um programa destina percentuais que vão de 10% a 70% sobre o valor repassado pelo SUS, conforme a complexidade do atendimento prestado. Ou seja: se uma Santa Casa que presta atendimento em alta complexidade, como cirurgias de grande porte, por exemplo, recebe R$ 100 do SUS, o estado complementa em 70%.

O problema financeiro das Santas Casas, entretanto, também está associado a questões administrativas. No final de 2014, o Ministério Público de São Paulo chegou a defender o "impeachment" dos gestores da Santa Casa de São Paulo. Em julho daquele ano, o serviço de emergência foi fechado.