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Alerta

Fiocruz considera febre amarela preocupante, mas não recomenda alarmismo

Há registro de 809 casos suspeitos em sete estados, sendo 127 confirmados. Avanço da doença expõe falhas na vigilância da mortalidade de macacos e no controle dos focos de Aedes nas cidades
por Redação RBA publicado 01/02/2017 18h08, última modificação 01/02/2017 18h42
Há registro de 809 casos suspeitos em sete estados, sendo 127 confirmados. Avanço da doença expõe falhas na vigilância da mortalidade de macacos e no controle dos focos de Aedes nas cidades
Arquivo/EBC
Aedes amarelo.jpg

O Aedes aegypti, que transmite o vírus da dengue, zika e chikungunya, também está envolvido na transmissão da febre amarela

São Paulo – Apesar dos 809 casos suspeitos, dos quais 127 confirmados, o momento não é de alarmismo conforme os pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Vinculado ao Ministério da Saúde, o órgão realizou ontem seminário para debater o tema que preocupa grande parte da população.

Em entrevista ao boletim da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), o pesquisador Paulo Chagastelles Sabroza alertou que o quadro se agravaria com a infecção entre os macacos se alastrando e atingindo as matas de litoral dos estados da Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo, onde estão grandes populações desses primatas e também vivem milhões de pessoas. Mesmo assim, conforme destacou, ainda não é o momento de se considerar um "cenário caótico" que culminaria com a retomada da transmissão urbana por meio do Aedes aegipty.

Sabroza pondera que o alerta foi feito porque em muitos anos não havia tantos casos da doença e de mortes na zona rural na região Sudeste. Com isso vem o temor de mais contágio em cidades com focos de infestação por Aedes com a circulação de pessoas infectadas por essas localidades.

"Muitas pessoas estão adoecendo e indo para as cidades. E sem hospitais de isolamento, ficam expostas em ambulatórios comuns", disse, ao Boletim da ENSP

Há mais de cinquenta anos não havia registro da circulação do vírus da febre amarela no litoral do Sudeste. Para o pesquisador, esse avanço expõe falhas na vigilância da morte de macacos, com a devida pesquisa sobre as causas, e no controle dos focos de Aedes aegypti nos centros urbanos.

Ontem, o Ministério da Saúde divulgou novos dados de febre amarela. Os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Tocantins notificaram 809 casos suspeitos. Do total, 651 casos permanecem em investigação, 127 foram confirmados e 31 descartados. Dos 128 óbitos notificados, 47 foram confirmados, 78 ainda são investigados e 3 foram descartados.

Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo continuam com casos investigados e/ou confirmados. Pela primeira vez, o estado de Tocantins notificou um caso, que está em investigação. Já Goiás e Distrito Federal descartaram as notificações. Já o caso atribuído inicialmente, como local provável de infecção ao Mato Grosso do Sul, está sendo reavaliado.

Vacinação

A principal arma contra a doença continua sendo a vacina, que é oferecida pelo SUS nas UBSs. No entanto, devem ter prioridade as populações rurais, onde a doença é mais comum. 

Sintomas

Começa com febre, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas e pelo corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Se não for tratada rapidamente, pode matar no período de uma semana.

Transmissão

O mosquito Haemagogus é o principal vetor do vírus causador da febre no ciclo silvestre (áreas florestais). Já na zona urbana é o Aedes aegypti, o mesmo da dengue, zika e chickungunya. A infecção pode afetar também macacos. A doença não é transmitida de uma pessoa para outra.