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Cancerígeno

MPT discute urgência de banir amianto na indústria da construção civil

Congresso em Campinas, amanhã e sexta-feira (6 e 7) traz experiências de países que baniram a fibra cancerígena e debate o legado da indústria que causou mortes e espalhou doenças como o câncer
por Redação RBA publicado 05/10/2016 16h45, última modificação 06/10/2016 13h08
Congresso em Campinas, amanhã e sexta-feira (6 e 7) traz experiências de países que baniram a fibra cancerígena e debate o legado da indústria que causou mortes e espalhou doenças como o câncer
Reprodução
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Com várias aplicações na indústria, amianto pode ser substituído por outros materiais economicamente viáveis

São Paulo – Os efeitos nocivos do amianto, que provoca mortes por doenças como o câncer de pulmão, gastrintestinal e mesotelioma, entre outras, são o tema de congresso internacional, que será realizado entre amanhã e sexta-feira (6 e 7), em Campinas, interior paulista. Realizado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), o evento tem o objetivo de aprofundar o debate do ponto de vista social e jurídico em busca do banimento da fibra mineral largamente usada na indústria da construção civil, especialmente no ramo de telhas e caixas d´água.

Aberto a todos os interessados e com inscrições gratuitas, o congresso que se estende até sexta-feira vai discutir também as consequências à saúde. Autoridades no assunto no cenário nacional e internacional vão ministrar palestras, painéis e mesas de debate.

De acordo com a procuradora do MPT Márcia Kamei Lopez Aliaga, já passou da hora de banir o amianto. "Essa questão é debatida há muitos anos no país, quando já existem substitutos viáveis economicamente para esta matéria-prima. Por isso, é importante trazer experiências de outros países que já baniram e ainda sofrem com os efeitos nefastos da exposição, com muitas mortes e doenças relacionadas, e com os passivos remanescentes.”

No dia 8, a Associação Brasileira de Expostos ao Amianto (Abrea) vai realizar o Encontro Nacional de Familiares e Vítimas do Amianto. O objetivo é reforçar a luta contra o uso da fibra considerada como catástrofe sanitária do século 20.

Serão compartilhadas experiências nacionais e internacionais na luta pela erradicação do amianto para a capacitação de ativistas para ações em diversas associações estaduais e locais, visando a planos de ação conjunta.

Auditora do trabalho aposentada e fundadora da Abrea, Fernanda Giannasi afirma que a luta contra o amianto vive um momento histórico importante. No final do ano, as duas últimas empresas que ainda utilizam a fibra mineral vão deixar de produzi-la. Com isso, o estado de São Paulo será o primeiro no país a bani-lo.

"O banimento no estado é fruto de uma construção social e alianças firmadas na defesa da vida, e não uma decisão governamental, uma canetada”, disse.

O amianto A, fibra mineral do amianto utilizada na fabricação de telhas, caixas d'água e pastilhas e lonas para freios, entre outros produtos. Seu uso é proibido em mais de 60 países porque a substância é considerada cancerígena pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Brasil é um dos maiores produtores, consumidores e exportadores do mundo e segue sem uma legislação nacional proibitiva. Segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, entre 2000 e 2010 foram registradas 2.400 mortes pelo câncer causado pela exposição ao amianto.

A fibra provoca ainda a asbestose, doença crônica pulmonar, de origem ocupacional, placas pleurais e outros males no aparelho respiratório.

Serviço

Congresso Internacional do Amianto
6 e 7 de outubro
Hotel Royal Palm Plaza (Av. Royal Palm Plaza, 277, Jardim Nova Califórnia, Campinas)
Inscrições e informações pelo site: www.brasilsemamianto.com.br

Encontro Nacional dos Familiares e Vítimas do Amianto
8 de outubro
Hotel Vila Rica (Rua Donato Paschoal, 100, Parque Itália, Campinas)