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Santa Casa

Crise ‘acende luz amarela’ para gestão da saúde pública por Organizações Sociais em SP

Para Fórum Popular de Saúde de São Paulo, problemas na Irmandade Santa Casa de Misericórdia, organização que gerencia a Santa Casa, existem em outras OSs e podem afetar unidades que administram
por Cida de Oliveira, da RBA publicado 14/12/2014 14:05
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Para Fórum Popular de Saúde de São Paulo, problemas na Irmandade Santa Casa de Misericórdia, organização que gerencia a Santa Casa, existem em outras OSs e podem afetar unidades que administram
© J.Duran Machfee/Folhapress
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Mais de dois mil funcionários participaram do ato contra todos os problemas na Santa Casa de São Paulo, na capital

São Paulo – A atual crise financeira e administrativa da Santa Casa de São Paulo “acende uma luz amarela, quase vermelha” para o risco que corre toda a rede de saúde pública administrada por Organizações Sociais da Saúde, as chamadas OSs. A opinião é de Paulo Spina, coordenador do Fórum Popular de Saúde de São Paulo.

“É um claro sinal do que o descontrole e a falta de transparência desse formato de administração terceirizada podem causar a hospitais, ambulatórios e outros equipamentos públicos. A sociedade fica sem saber quanto é gasto e como são usados os recursos que os governos repassam a essas organizações”, diz Spina.

Fundada há mais de quatro séculos, a Santa Casa é um complexo hospitalar privado, filantrópico, considerado um dos mais importantes centros de referência no atendimento a traumas e também em educação médica.

O hospital é administrado pela Organização Social Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, entidade que administra unidades básicas de saúde, hospitais e centros de atendimento psiquiátrico municipais e estaduais em várias regiões do estado.

Crítico da transferência da gestão da saúde pública a essas organizações privadas, Paulo Spina lembra que atualmente estados, municípios e até a União firmam contratos com esses parceiros. É o caso, por exemplo, de unidades básicas de Saúde (UBSs), vinculadas à esfera municipal, e o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo, gerido pela OS SPDM, uma das mais envolvidas em suspeitas de irregularidades.

Em julho passado, uma dívida crescente nos últimos anos levou a Santa Casa a fechar o pronto socorro e a cancelar cirurgias eletivas (com data marcada, sem urgência) bem como a realização de exames. Foram prejudicadas 6 mil pessoas. O governo estadual chegou a responsabilizar o Ministério da Saúde pela crise, por não reajustar a tabela de ressarcimento pelo atendimento. E o governo federal apresentou números referentes aos repasses.

Com o agravamento da situação no complexo hospitalar, no começo de outubro a OS devolveu à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo a gestão do Hospital Geral de Guarulhos, os estaduais de Francisco Morato e Franco da Rocha, o Penitenciário e o Centro de Atendimento de Saúde Mental de Franco da Rocha.

Greve

Os problemas de caixa levaram a administração a atrasar o pagamento de salários e do décimo-terceiro, o que levou médicos, enfermeiros e trabalhadores administrativos a entrarem em estado de greve. São 669 funcionários com os salários atrasados desde o dia 5 de dezembro, dos quais 437 médicos.

A categoria se reuniu na última sexta-feira e exigiu que o superintendente da Santa Casa de São Paulo, Irineu Massaia, dê explicações sobre atrasos nos pagamentos. Eles voltam a se reunir na próxima quarta (17), na própria Santa Casa, quando expira o prazo para a Santa Casa regularizar os atrasos.

Funcionários se reuniram em torno do prédio da instituição, num protesto público pelas más condições de trabalho.

O Sindicato dos Médicos defende que os médicos tenham seus direitos garantidos e está em negociação com a Santa Casa com intermédio do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A próxima reunião será no dia 18.

Os enfermeiros farão nova assembleia nesta segunda-feira. De acordo com a diretora do Departamento Jurídico do Sindicato dos Enfermeiros de São Paulo, Ana Firmino, um representante da Santa Casa afirmou que alguns imóveis estão sendo avaliados por uma instituição financeira como garantia para um empréstimo para colocar os salários em dia. A resposta deve ser dada até esta quarta-feira.

"Já a Secretaria Estadual de Saúde afirma não ter tempo hábil para o repasse de verba ainda neste mês", disse Ana Firmino. "Há boatos que de que só não houve demissões ainda por falta de dinheiro em caixa para pagar as rescisões".

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