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Prevenção

Centro de referência de SP registra aumento de casos de doenças relacionadas ao sexo

Estudo revela que, só no ano passado, foram registrados 1.330 novos casos de DSTs no Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo
por Redação RBA publicado 10/09/2013 11h47
Estudo revela que, só no ano passado, foram registrados 1.330 novos casos de DSTs no Instituto de Infectologia do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo
CC/Prefeitura de Olinda
Camisinha

Distribuição de camisinhas em Olinda, no carnaval de 2011; para infectologista, campanhas não são suficientes

São Paulo – Estudo divulgado ontem (9) pela Secretaria da Saúde do estado de São Paulo aponta que, apenas no Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, são diagnosticados, em média, 4 casos de doenças sexualmente transmissíveis (DST) por dia. O levantamento foi feito pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, e se refere aos atendimentos feitos pelo hospital no ano de 2012.

Segundo o mapeamento, 1.330 casos de DSTs foram registrados no total no ano passado. A sífilis é responsável por 40% das ocorrências, seguida pela hepatite B, com 19%, e a candidíase, que representa 11% dos diagnósticos. As demais doenças registradas foram HPV (que causa câncer de colo de útero), clamídia, cancro mole e gonorreia. O infectologista Ralcyon Teixeira, do Hospital Emílio Ribas, ressalta que grande parte dos pacientes diagnosticados com estas doenças no período já estavam contaminados com HIV, o vírus da Aids.

“Temos notado que está havendo um novo aumento dos casos de DSTs. E é ainda mais grave, porque grande parte desses pacientes que são atendidos já são diagnosticados com HIV. Então é um risco ainda maior de transmissão, das DSTs e do HIV juntos. Temos visto que a preocupação com a prevenção tem diminuído”, comentou em entrevista à Rádio Brasil Atual.

Segundo ele, a prevenção, através da camisinha, é o caminho mais eficaz para o combate às doenças sexualmente transmissíveis. “Precisamos voltar a falar da camisinha. Ensinamos, talvez, a juventude de maneira errada. Por que a gente fala que ter relação com camisinha é igual a não ter e sabemos que não é verdade. Sabemos que a sensibilidade de não usar a camisinha é mais prazerosa para o adolescente do que se ele usar. Precisamos voltar a conversar abertamente, de que o uso da camisinha é indispensável, inclusive no sexo oral. Sexo oral é sexo e transmite doença também”, diz.

O estudo aponta que 82% das infecções aparecem em homens, e idade média de 30 a 40 anos. Segundo Teixeira, isso se dá pela maior facilidade que os homens têm em enxergar eventuais lesões, pela própria anatomia do órgão genital.

Tabu

O médico afirma também que as campanhas preventivas e de incentivo ao uso da camisinha não recebem a atenção que deveriam por parte do poder público, e enfrentam certos tabus sociais.

“As campanhas existentes não são eficazes. Se investe muito no tratamento, mas a prevenção, por uma série de motivos, seja muito ligada a parte religiosa, cultural, e até machista em falar nisso, em levar para a escola. As campanhas de prevenção são aquém do que gostaríamos, elas aparecem no carnaval e parece que no resto do ano não temos incidência de DST. E se não educarmos as crianças elas vão virar jovens, vão ter relação sexual e terão risco maior de ter DST”, diz.

Ouça aqui a entrevista de Ralcyon Teixeira à Rádio Brasil Atual.