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SP perde investimentos no governo Serra

Com R$ 4,2 bilhões não investidos em obras e equipamentos poderiam ter sido feitos 84 novos hospitais com 250 leitos cada
por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado , última modificação 31/03/2010 19h29
Com R$ 4,2 bilhões não investidos em obras e equipamentos poderiam ter sido feitos 84 novos hospitais com 250 leitos cada

Serra deixa o governo de São Paulo nesta sexta (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr)

Entre 2007 e 2009, o governador José Serra teria construído 84 hospitais com 250 leitos cada um, 84 novas estações de tratamento de esgoto para 17 milhões de pessoas e 21 quilômetros de metrô se tivesse investido todos os recursos previstos no Orçamento. Os dados foram informados pelo deputado Antonio Mentor, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa, ao analisar os dados dos investimentos previstos e não realizados durante o governo Serra.

Mentor afirmou que deixaram de ser executados em obras e equipamentos R$ 4,2 bilhões, de acordo com o levantamento feito no Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária (Sigeo) do governo paulista.

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Os recursos não executados, de acordo com a assessoria do PT na Alesp, voltam para o Tesouro Estadual e são realocados para outras áreas. Há um remanejamento que, nesse caso, estaria sendo feito para obras que atendem ao interesse eleitoral de José Serra que, deixa o governo do Estado nesta sexta (2) para disputar a eleição presidencial.

Perdas na Saúde

Na Secretaria Estadual da Saúde deixaram de ser aplicados R$ 100 milhões do R$ 1,8 bilhão previsto no orçamento para investimentos, o que seria suficiente para a construção de dois hospitais com 250 leitos cada.

Os números mostram que os recursos empenhados pelo governo federal para custeio da Saúde (despesas de manutenção e gastos em geral, menos com pessoal) nesse período representam 40% de tudo o que foi gasto no setor. Dos R$ 21,8 bilhões executados, R$ 8,7 bilhões saíram dos cofres da União.

Os recursos federais para a Saúde paulista cresceram 22,5% ante o orçado e o empenhado, chegando a R$ 10,3 bilhões. Já os gastos do governo Serra, na mesma base, subiram 7,74%, chegando a R$ 22 bilhões.

Os recursos do governo federal para investimentos na Saúde (material e obras) tiveram alta de 89,47% ante a previsão de R$ 295 milhões, chegando a R$ 560 milhões. Os do governo Serra no mesmo item subiram 17,23% ante a previsão de R$ 1,02 bilhão, chegando a R$ 1,2 bilhão.

O levantamento do Sigeo também mostra que durante a gestão Serra os recursos para a compra de medicamentos subiu 4,1%, de R$ 834 milhões para R$ 868 milhões, enquanto os aportes federais tiveram alta de 73%, passando de R$ 551 milhões para R$ 954 milhões.

Queda nos programas

Os dados da liderança do PT destacam ainda a queda de 24,57% no gasto orçado para o Qualismais (Apoio Qualificação Atenção Básica, antigo Saúde da Família), reduzindo a previsão de R$ 104,8 milhões para R$ 79 milhões. O governo serra deixou de gastar quase R$ 69,5 milhões.

O Dose Certa (Programa Estadual de Assistência Farmacêutica) teve os recursos reduzidos de R$ 246,2 milhões para R$ 221 milhões. Uma perda de mais de R$ 24 milhões.

As obras previstas no Hospital de Ribeirão Preto da USP tiveram os recursos reduzidos de R$ 13 milhões para R$ 8,4 milhões, numa perda de 35,22% do previsto.

O Saneamento Para Todos sofreu redução de 58%. Dos R$ 160 milhões previstos foram gastos apenas R$ 67 milhões. Os dados para Melhoria da Qualidade das Águas são idênticos.

Para a organização e realização de conferências de saúde, o governo Serra previu gastar R$ 1 milhão e não executou um centavo sequer.

Para a Vigilância Sanitária foram previstos R$ 2,5 milhões, porém, foram gastos R$ 2 milhões.

O gerenciamento do benefício-saúde (vale-coxinha) teve R$ 64,7 milhões ante os R$ 82 milhões previstos.

Ao mesmo tempo, os gastos com Comunicação Social da área de Saúde subiram 22,5%, ante a previsão inicial de R$ 43,5 milhões, chegando a R$ 53,2 milhões.


 

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