Você está aqui: Página Inicial / Saúde e Ciência / 2009 / 07 / Não há por que comemorar redução da dengue, diz especialista

Não há por que comemorar redução da dengue, diz especialista

Edmilson Migowski, da UFRJ, lembra que não há na história da Medicina atual duas epidemias ocorrendo na mesma região em anos seguidos
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 13/07/2009 15h45
Edmilson Migowski, da UFRJ, lembra que não há na história da Medicina atual duas epidemias ocorrendo na mesma região em anos seguidos

O mosquito da dengue é exibido em Brasília durante campanha de combate à dengue (Foto: Wilson Dias. Agência Brasil)

Em termos de prevenção da dengue, as políticas brasileiras são falhas e não trabalham com a questão educativa. Para Edmilson Migowski, professor de Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o país não está a salvo de novas epidemias.

Mais do que isso, não há porque comemorar os dados divulgados recentemente pelo Ministério da Saúde mostrando redução no número de casos de dengue registrados entre janeiro e junho deste ano na comparação com 2008. Segundo informações enviadas pelas secretarias estaduais de saúde, 361.552 pessoas contraíram a doença no período, contra 719.593 no ano passado.

Por região, as quedas foram de 65,5% no Sudeste, 49,9% no Sul, 47,3% no Nordeste e 29,9% no Norte. A região Centro-oeste foi a única que teve aumento no número de ocorrências – 13,8%.

Por municípios, chama atenção o caso do Rio de Janeiro, que passou de 246.087 casos entre janeiro e junho do ano passado para 10.424 no mesmo período de 2009. Para Edmilson Migowski, uma situação facilmente explicável. “Não existe na história da medicina atual duas epidemias de dengue ocorrendo na mesma região em anos subsequentes. Quando você tem uma população que foi muito afetada por dengue, há um esgotamento das pessoas vulneráveis e no ano seguinte não tem epidemia”, afirma.

No ano passado, a epidemia que atingiu o Rio de Janeiro foi do tipo 3. Este ano, o foco maior é a Bahia, que passou de 31.132 para 92.420 casos. Com isso, no ano seguinte, menos baianos estarão vulneráveis à dengue tipo 3, zerando as chances de uma epidemia.

Para o especialista da UFRJ, isso não demonstra sucesso das políticas públicas e não quer dizer que, em um espaço curto de tempo, uma nova epidemia não possa ocorrer. “O governo só pode se vangloriar da redução do número de casos quando ele reduz o número de casas em que há mosquito. O recuo atual não é uma consequência da ação pública, e sim uma reação natural pela redução de pessoas vulneráveis”, afirma.

Por isso, explica Migowski, o Rio de Janeiro em 2006 e em 2007 “dormia sobre um barril de pólvora”: ainda que o número de casos fosse pequeno, a quantidade de casas contaminadas pelo vetor era enorme, dando uma noção do que viria no ano seguinte.

Agora, a preocupação é com o tipo 4 do vírus, que ainda não registrou epidemia no Brasil, mas já teve ocorrência na região amazônica. O grande perigo é que as cidades sejam atingidas, provocando, na análise do infectologista, uma epidemia de proporções inimagináveis.

Quando um paciente tem uma segunda contaminação por dengue, qualquer que seja o tipo, a tendência é ter uma reação mais forte, provocando a variedade hemorrágica, que muitas vezes leva à morte. Essa é a dramaticidade da situação no Rio de Janeiro, por exemplo, em que um grande percentual de adultos já teve ao menos um dos tipos da doença.

registrado em: ,