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Infectologista avalia que transmissão da gripe A merece preocupação, mas não pânico

Para o médico David Uip, plano de contenção do governo federal deve permanecer o mesmo, embora risco de contaminação seja maior
por Paula Laboissière publicado , última modificação 17/07/2009 19h31
Para o médico David Uip, plano de contenção do governo federal deve permanecer o mesmo, embora risco de contaminação seja maior

O infectologitsa e diretor do Instituto Emílio Ribas, David Uip (Foto: Antonio Cruz/ABr)

Brasília - O cenário de transmissão sustentada da influenza A (H1N1) – gripe suína, no Brasil, que ocorre quando o vírus já circula livremente no país, é sinal de atenção e de preocupação por parte da população, mas não de pânico. A avaliação é do infectologitsa e diretor do Instituto Emílio Ribas, David Uip. “Isso era só uma questão de tempo [a transmissão sustentada], todos sabíamos que ia acontecer”, disse.

Em entrevista à Agência Brasil, o médico lembrou que a gripe suína é uma doença respiratória aguda transmitida de pessoa para pessoa, sobretudo por meio da tosse e do espirro. Ele reforçou que os sintomas da doença são “absolutamente iguais” aos da gripe sazonal ou gripe comum – febre alta de início abrupto, dor de garganta, tosse, dores no corpo, articulares e gastrointestinais.

Sobre as estratégias a serem adotadas diante da confirmação de transmissão sustentada no país, Uip acredita que o plano de contenção do governo federal deve permanecer o mesmo. Ele ressaltou, entretanto, que o risco de contrair o vírus, agora, é ainda maior, uma vez que não apenas as pessoas que viajaram para o exterior ou que tiveram contato com quem veio de outros países estão vulneráveis à infecção. “O sistema de defesa humano não está alerta para combater essa doença. A possibilidade de infecção existe para todos.”

Cuidados como lavar as mãos regularmente e cobrir o rosto ao tossir e espirrar devem ser redobrados, segundo o médico. “Quem tem gripe deve ficar em casa, seja lá o vírus que for”, recomendou, ao destacar a importância do repouso, de uma boa alimentação e de uma boa hidratação, além de evitar aglomerações. A explicação: “o vírus gosta do frio e de pessoas próximas”.

Apesar do alto risco de infecção, Uip ressaltou que a possibilidade de complicações só aumenta em casos de crianças menores de 2 anos, adultos maiores de 60 anos, pessoas obesas e imunodeprimidas. Outro alerta feito pelo infectologista diz respeito às mulheres grávidas. “A doença parece ser mais letal para elas”.

A recomendação do médico para as pessoas que apresentarem sintomas de qualquer tipo de influenza é procurar serviços de atendimento próximos às suas casas, como ambulatórios e postos de saúde, ou médicos da família. O médico é o profissional que vai avaliar a necessidade de transferir o paciente para um centro de referência no tratamento de gripe suína.

“O que importa é que a decisão fique nas mãos dos médicos. Ele é que vai avaliar se essa pessoa tem um sintomatologia diferente do habitual, se há chance de complicações, se precisa de remédios e se precisa ser internada”, explicou. Uma pesquisa feita pelo Instituto Emílio Ribas revelou que cerca de 80% das pessoas que têm procurado o pronto-socorro do hospital deveria ter buscado postos de saúde. “Pronto-socorro é para doentes graves”, explicou.

Aos profissionais da área, Uip destacou que o diagnóstico de qualquer gripe é clínico e que não é preciso esperar a confirmação laboratorial para tomar providências em casos de um paciente com complicações – mesmo porque o exame demora cerca de três dias para ficar pronto e há a indicação de que medicamentos específicos para gripe suína sejam administrados nas primeiras 48 horas após a manifestação dos sintomas.

Fonte: Agência Brasil

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