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Número 98, Agosto 2014

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Pai desvenda assassinato do filho e desmascara o Estado

Documentário de estudantes de Audiovisual mostra uma busca obstinada por justiça. Confira também exposições, música regional e livros
por Xandra Stefanel publicado 18/08/2014 11h00
Documentário de estudantes de Audiovisual mostra uma busca obstinada por justiça. Confira também exposições, música regional e livros
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Um pai em busca de justiça

“Meu nome é Daniel Eustáquio de Oliveira, pai de Cesar Dias de Oliveira, de 20 anos, que foi assassinado pela polícia em primeiro de julho de 2012, junto com seu amigo Ricardo Tavares da Silva, também de 20 anos, em uma suposta resistência seguida de morte.” O depoimento abre o documentário Quando Eu Me Chamar Saudade, dirigido por Renan Xavier, Laison Nascimento e Daniel Santos. Daniel investigou por conta própria as contradições que constavam no boletim de ocorrência e provou que seu filho e o amigo foram executados a sangue-frio pela polícia paulista.

“Reconhecemos que histórias como a de Daniel, que culminam na prisão dos agressores, são uma minoria quando estes agressores são membros da própria instituição policial. No entanto, acreditamos que, em meio a este triste cenário social, a narrativa da história de um pai que desafiou o próprio Estado em busca de justiça possa confortar e trazer esperança àqueles que compartilham lutas semelhantes”, declarou Renan, um dos diretores do curta-metragem, de 24 minutos, que pode ser assistido na íntegra abaixo.

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Arte inclusiva

A exposição Pintura Sem Limites, que fica em cartaz até 29 de agosto no Sesc Carmo, na capital paulista, apresenta obras de artistas com deficiência integrantes da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés (APBP). As 14 obras podem ser conferidas pelo público em geral, incluindo pessoas com deficiência visual, já que a mostra conta com audiodescrição e legenda com caracteres ampliados. De segunda a sexta-feira, das 9h às 19h30, na Rua do Carmo, 147, centro de São Paulo. Mais informações: (11) 3111-7000. Grátis.

Brasil encantado

Renata-Rosa-foto-de-Stephan-Rodier.jpgInspirada pela sonoridade indígena da região onde nasceu, o Baixo São Francisco, a cantora e rabequeira Renata Rosa lança seu terceiro disco, Encantações. Maracatu rural, coco, cavalo-marinho, ciranda se misturam com jazz, música clássica, árabe e cigana. Entre as nove faixas, está a canção de domínio público Jurema, que Renata adaptou com um canto típico da zona da mata de Pernambuco e participação dos índios da etnia Xariri-Xocó. Saudades do Futuro tem livre adaptação do poema Renascer de Miguilim, de Tunico Rosa, pai da cantora. Depois dos álbuns Zunido da Mata (2002) e Manto dos Sonhos (2008), ela encanta com uma espécie de trilha sonora de um Brasil que não passa na TV. Uma bela mistura de um país riquíssimo (também) em cultura popular. R$ 20.

Romance policial-zen

Aos 16 anos, Tony Ferraz escreveu O Artífice, uma mistura de romance policial com filosofia zen-budista. Depois de passar 13 anos engavetada, a obra chega às livrarias pela Universo dos Livros (240 págs., R$ 25). Conta a história de uma investigação sobre um serial killer que vinha assombrando Londres agindo inusitadamente durante tempestades. Como as pistas deixadas pelo criminoso eram esotéricas, um detetive da Scotland Yard recorreu a um mestre budista para solucionar o mistério.

Pacífica

cidade-que-derrotou-a-guerra.jpgO lugar onde é ambientado o livro do grego Antonis Papatheodoulou parece, à primeira vista, nada incomum: tem praças, estátua, chafariz, museu, agência de correios, parque, ruas, bicicletas, carros, crianças e adultos. Mas, observada com mais cuidado, A Cidade que Derrotou a Guerra (Cia. das Letrinhas, 40 págs.) é incrível. Suas ruas traçam a própria rota, criam atalhos para as ambulâncias, suas árvores contam histórias para quem chega bem perto, os museus guardam obras que mudam de acordo com o espectador, refletindo a alma e o sonho das pessoas... Enfim, era uma harmonia só, até o general Armando Aguerra chegar. Neste tour, o leitor vai conhecer a cidade por meio das poéticas ilustrações de Myrto Delivoria. R$ 33.

Solidão é lava

ohomemdasmultidoes_f01cor_2013130454.jpgJuvenal está quase sempre cercado de gente, mas ao mesmo tempo sempre sozinho. Margô nunca tem ninguém por perto, porém tem muitas relações virtuais. Ele, um solitário maquinista de metrô, se mistura ao aglomerado de gente nas plataformas e no centro de Belo Horizonte em busca da sensação de estar acompanhado, sem nunca interagir. Ela, controladora de tráfego, se conecta a muitas pessoas que, no entanto, não “têm corpo”. O filme O Homem das Multidões, do mineiro Cao Guimarães e do pernambucano Marcelo Gomes, é uma ficção que retrata a sufocante solidão das metrópoles. Seu formato quadrado de tela faz aumentar ainda mais a sensação de claustrofobia. Livremente baseado no conto homônimo de Edgar Allan Poe, o longa-metragem, em cartaz a partir de 31 de julho, é um filme silencioso e aflitivo que provoca uma profunda reflexão sobre o desespero silencioso da solidão contemporânea.