Retrato
Trabalho, suor e samba
Por: Xandra Stefanel
Publicado em 11/01/2007
Nayra Regina Cardoso é artista nata. Criancinha, já participava de concursos de dança. Adolescente, fazia cestas e outros artesanatos. O hobby virou ofício. Hoje, aos 22 anos, trabalha num ateliê de decoração, na Vila Madalena, São Paulo, e dá aulas de dança de salão duas vezes por semana em academias. “Amo dançar e fazer artesanato. Aprendi tudo na raça.” De casa, em Osasco, para o trabalho, são três conduções, quase sempre em pé, com bolsa e sacola. “Tenho que levar comida, senão o salário não dá.”
No ateliê trabalham doze mulheres. As lesões por esforço repetitivo já chegaram ali. A dançarina tem tendinite nas mãos e bursite no ombro direito. O problema já levou as patroas a contratar uma fisioterapeuta para tentar evitar afastamentos. Todas fazem meia hora de relaxamento, de manhã e à tarde. “Já não sinto tanta dor. A empresa está crescendo e estamos cobrando melhorias, valorização pessoal e salarial. A gente não vive sem ele, mas dinheiro não é tudo, né?”
Tudo o que faz, a artesã faz com alegria. Há três anos, está na comissão de frente da escola de samba Tom Maior. Este ano, o samba-enredo conta 100 anos de história dos trabalhadores. Até a CUT-São Paulo entrou nesse samba: “Quero ter o meu direito, chega de exploração/ Com licença, eu vou à luta/ Faço greve, vou pra rua/ Digo não à opressão”. Nayra ensaia com energia. Quando se aproxima o Carnaval, a alegria aumenta.
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