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Número 73, Julho 2012

A vida, hoje e sempre

Os veículos comerciais não têm coragem de denunciar a hipocrisia e o oportunismo de seus anunciantes, como no caso da retirada das sacolinhas supermercados paulistas
por Redação da RBA publicado , última modificação 12/07/2012 18h34
Os veículos comerciais não têm coragem de denunciar a hipocrisia e o oportunismo de seus anunciantes, como no caso da retirada das sacolinhas supermercados paulistas

Manifestantes fazem “banner humano” durante a Rio+20 (Foto: Lucas duarte)

De uns tempos para cá, o termo “sustentabilidade” vem sendo incorporado ao vocabulário cotidiano. A expressão surgiu com força quando a comunidade científica, ao estudar os estragos da ação humana no meio ambiente, deu-lhe um significado desafiador: o uso dos recursos naturais no presente deve levar em conta o futuro. É preciso saber desfrutar a vida hoje e deixar um pouquinho de planeta para as gerações que virão. 

Com a maior degradação da natureza e a constatação de que até a temperatura da Terra anda subindo, essa preocupação aumentou e a cobrança coletiva passou a pesar mais. A recente Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, foi acompanhada por 4.500 jornalistas. Cabe, porém, a desconfiança sobre a real preo­cupação de jornais, TVs ou portais. Afinal, você viu algum telejornal ou revista comercial informar que a busca do desenvolvimento sustentável passa pela erradicação da miséria? Que para isso acontecer é preciso haver trabalho decente, cuidados básicos com a alimentação, a saúde, a educação? E que é preciso o sistema financeiro mundial largar mão de ser especulativo? 

Talvez o leitor não tenha visto nada disso porque as grandes corporações são também grandes anunciantes das maiores redes de comunicação. E conter a concentração de riqueza pode implicar um lucro um pouquinho menor, para poder dividir um pouquinho mais. Essas necessidades ambientais e humanas foram debatidas intensamente na Rio+20 e ganharam peso na agenda das Nações Unidas, e por forte influência dos “donos da casa”. A Rede Brasil Atual participou da cobertura com a preocupação de compartilhar o principal teor dessa discussão. Porque se os veículos comerciais não têm coragem de denunciar a hipocrisia e o oportunismo de seus anunciantes, como não fizeram com os supermercados paulistas no caso da retirada das sacolinhas, quem mais o faria?

A propósito, esta revista chega a mais de 300 mil famílias de trabalhadores todos os meses. O portal de notícias Rede Brasil Atual fechou o semestre com média mensal de 250 mil visitantes e investe na ampliação de sua produção jornalística. Sem abrir mão do sonho de um mundo verdadeiramente sustentável.