Você está aqui: Página Inicial Revista do Brasil Edição 64 Um retorno a antigamente
Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Revista do Brasil - Edição 64 - Outubro de 2011

Atitude

Um retorno a antigamente

Por: Eloísa Aragão

Publicado em 22/10/2011

Um retorno a antigamente

Enrico, da Piazza Zini: memória e massas artesanais (foto: © Mauricio Morais)

Entrar desavisadamente na Piazza Zini, cantina e espaço cultural, causa o impacto de uma variação no tempo. Em que século estamos? O aroma de massas, misturado à atmosfera de prédio antigo, prateleiras de empório, som de máquinas ao longe, pôsteres, lambretas, carros antigos... Tudo  aconchegante, cerimonioso e despojado de excessos. A imensa porta no estilo art nouveau, perto da cozinha e de um fogão a lenha enorme, aguça a curiosidade dos mais discretos.

A preservação da memória é costume vindo dos antepassados do engenheiro de alimentos Enrico Vezzani, natural de Langhirano (Parma, na Itália). Ele veio para o Brasil em 1979 e instalou a empresa Vomm, especializada em produção de máquinas. Em 1992, pôs para funcionar a indústria de alimentos Zini, na zona norte de São Paulo. Criança em Milão, Enrico acompanhava de perto o pai, que com peças recuperadas de antiquários e ferros-velhos equipava sua fábrica de macarrão. Aos 64 anos, Vezzani ainda coleciona máquinas antigas – muitas trazidas por imigrantes. Uma das preciosidades é uma Zamboni, de fazer cappelletti, dos anos 1920.

E assim a Piazza Zini (Rua Francisco Rodrigues Nunes, 131, bairro do Limão, na capital paulista) virou um museu de objetos  italianos. O velho Fiat Múltipla 1958, do pai, está em restauração e prestes a funcionar. Há nos armários documentos importantes, como uma carta de Giuseppe Garibaldi, um dos líderes da Revolução Farroupilha e da unificação da Itália. Com seus hábitos, Vezzani procura estimular outras empresas a dar atenção à preservação histórica. 

As suas fábricas são abastecidas com água de reúso. Uma antiga cisterna na Vomm armazena água da chuva. Serve à rega dos jardins e às descargas. O sentimento é ecológico e o resultado é uma boa economia. “Ambientalismo não pode se basear numa cena bucólica, romântica, esvaziada. Precisa dar resultados”, ensina o engenheiro. Nas outras áreas ligadas à alimentação e à higiene, bebedouros, torneiras e chuveiros, a água é potável e tratada. O fogão leva lenha de madeira reciclada. Tudo feito ali fica mais saboroso. O sorvete, integral, também é produzido lá mesmo na Zini. Além de saudáveis, os pratos são acessíveis. “Não se pode fazer elitismo com os alimentos”, diz Vezzani. 

 





Ações do documento
Powered by DISQUS comment system
Comentários
Clicky Web Analytics