Na Rede
A roda da economia
Publicado em 05/11/2009
Parece incrível que trabalhadores ainda precisem fazer greve para melhorar o salário. Os lucros convertidos em salários, abonos, participação nos resultados – enfim, renda – representam uma injeção de dinheiro que faz girar a economia. Apesar disso, a renda não melhora sem pressão. Foi o que aconteceu com algumas das maiores categorias em campanhas salariais neste semestre, como bancários e metalúrgicos, depois de alguns dias parados e muito protesto.
Acordos coletivos asseguraram a cerca de 58 mil empregados de montadoras e de 75 indústrias de autopeças na região do ABC paulista 6,53% de reajuste salarial – que vai injetar R$ 123 milhões na economia da região até fevereiro de 2010. Os bancários, que têm convenção coletiva nacional válida para 459 mil pessoas, fizeram de 15 a 28 dias de paralisação para alcançar, entre outros pontos, índice de 6%. Depositado na conta dos trabalhadores, o dinheiro representará R$ 106 milhões a mais por mês na economia, ou R$ 1,3 bilhão em um ano ano. A primeira de duas parcelas da PLR dos bancários a ser paga ainda neste semestre representa uma soma estimada em R$ 1,6 bilhão.
Para José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de Relações Sindicais do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as greves vão continuar. “É um dado: aumento real é sinônimo de mais recursos que estimulam a roda da economia. Mas para os patrões significa elevação de custo, que, dependendo da conjuntura econômica, não pode ser repassado aos produtos.” Silvestre ressalta que, independentemente disso, é uma prática do segmento patronal dificultar aumentos nos salários. “Com a perspectiva de queda da inflação, significa dizer que os salários médios (elevados por esses aumentos reais) serão maiores que os observados no período anterior. São aspectos que justificam, por assim dizer, a intransigência patronal, em que pese o fato positivo de que aumento real é crescimento.”
Deste lado é pior
Apreciadores de uísque, cachaça, vodca e outras bebidas destiladas têm maior dependência alcoólica, mais recaídas e menor aderência ao tratamento para parar de beber. A conclusão é de um estudo inédito da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que comparou os consumidores de diferentes drinques.
“Negro desaforado”
Aquecimento para Copenhague
Professores merecem mais
Verba vai, chuva vem
IOF: “Quem rosna é suspeito”
A decisão do governo de taxar investimentos estrangeiros no país causou queda de 2,9% na Bolsa de Valores de São Paulo no dia 20 de outubro. O “mercado” se aborreceu com a alíquota de 2% de IOF sobre os investimentos estrangeiros na Bolsa e em fundos de renda fixa.
“Tem gente aí chiando porque está interessada em seus ganhos pessoais, em ganhar o Copom (taxa Selic) mais a valorização do dólar. As pessoas que estão rosnando são muito suspeitas”, disparou o economista e professor da Unicamp Luiz Gonzaga Belluzzo, em entrevista ao repórter Rodrigo Rodrigues, do Jornal Brasil Atual. Para Belluzzo, o temor do mercado não se justifica. A medida serve para desestimular aplicações que fiquem por pouco tempo no país.
Luiz Nassif também criticou a cobertura da imprensa, que ouviu apenas analistas contrários à medida. “Quando se pega a imprensa financeira de maneira geral, ela só reflete esse segmento (de especuladores)”, lamentou. A intenção do governo é impedir que uma queda brusca do dólar frente ao real prejudique o setor exportador.
Desde o início do ano, a moeda americana já se desvalorizou 25%. Nassif observa que, apesar de a taxação só ter efeito no curto prazo, é necessária para evitar que o dólar chegue à temida casa de US$ 1 a R$ 1,60.
A reportagem pode ser ouvida na íntegra em http://migre.me/9GKO. O Jornal Brasil Atual é sintonizado de segunda à sexta, das 7h às 8h, nos 98,1 FM (para a Grande São Paulo) ou a qualquer momento na internet, em www.redebrasilatual.com.br/radio.
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