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Número 39, Setembro 2009

Sujeitos e...

Os dois sujeitos que jornais e revistas do país elegeram para atingir Lula e Dilma Rousseff perderam força de expressão
por Paulo Donizetti de Souza publicado , última modificação 03/09/2009 19:20
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Os dois sujeitos que jornais e revistas do país elegeram para atingir Lula e Dilma Rousseff perderam força de expressão

O primeiro, José Sarney, ainda é sujeito indefinido. Mas ficou latente que, se o interesse comum fosse a ética no Senado, não sobraria pedra sobre pedra. E que, em vez da cabeça de Sarney, a opinião pública pode passar a querer as da Casa inteira. O outro sujeito, Lina Vieira, já é oculto – ainda que até os 45 minutos do segundo tempo jornais e revistas tenham escolhido morrer atirando a admitir o teatro armado. A propósito, até mesmo no dia seguinte ao depoimento de Lina no Senado – quando a trama veio abaixo –, a Folha de S.Paulo, que havia parido Mateus e decidiu continuar embalando-o, estampou em capa a manchete: “Lina vê ingerência descabida de Dilma e reafirma encontro”.

...pre(ju)dicados

fábio Rodrigues pozzembom/abr

Na mesma edição, de 19 de agosto, a Folha esconde no rodapé da capa a chamada “SP planeja dez novos pedágios na rota do litoral”. No miolo, caderno Cotidiano, o texto informa: “O plano do governo Serra é lançar ainda neste semestre a concessão à iniciativa privada de novos lotes de rodovias. Mas a tendência é que a cobrança de pedágio seja iniciada apenas depois das eleições estaduais e presidenciais de 2010”. O plano envolve a instalação de praças de cobrança na rodovias Rio-Santo, em Ubatuba e São Sebastião, e em todos os acessos a ela, partindo de Taubaté (Oswaldo Cruz), São José dos Campos (Tamoios) e Mogi-Bertioga. Embora o assunto possa afetar alguns milhões de pessoas – desde o turismo até o deslocamento curto entre as várias localidades afetadas –, ficou relegado ao rodapé da edição.


Luzes no ventilador

A guerra Globo X Record escancarou um festival de “podres” de parte a parte. Em longas reportagens, a TV da dinastia Marinho destacou os processos por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e exploração religiosa que recaem sobre Edir Macedo e sua Igreja Universal. E no canal do bispo foram minuciosas as lembranças do envolvimento da Globo com: o golpe e a ditadura; as manipulações contra Brizola, as Diretas Já e o governo Lula; e em empréstimos com dinheiro público no governo FHC. Num tempo em que notícias comprovadas ou não são o grande combustível de um certo grupo de senadores e deputados para alimentar sua sede por CPIs, e em meio a tantas denúncias, fica aí a sugestão do jornalista Altamiro Borges: CPI nelas.

Tsunami e marolinha

Foto: Vander Fornazieri

De 303 empresas da Bolsa que tiveram balanços comparados pela consultoria Economática, 21 delas, os bancos, ficaram com quase um quarto dos lucros do primeiro semestre. O setor financeiro abocanhou R$ 14,3 bilhões (23,5%) dos R$ 61 bilhões lucrados no total, acima da Petrobras (R$ 13,3 bilhões). O setor de energia, com 36 empresas, ficou em terceiro, com R$ 7,8 bi. Chamou a atenção no período o comportamento no crédito. Do estopim da crise, em setembro, até junho deste ano, os bancos privados responderam por apenas 20% dos novos empréstimos e financiamentos. Os 80% restantes, que mantiveram o caixa de pessoas físicas e jurídicas abastecido e a economia em movimento, saíram dos estatais. Ou seja, a depender dos privados, o tsunami de fora poderia ter virado mais que marolinha aqui dentro.

 

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