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Número 39, Setembro 2009

Aos problemas, soluções

por Redação publicado , última modificação 03/09/2009 19:20
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Foto: José Cruz/ABr

Existem dois brasis. Um deles sorri com a retomada da economia e com a rápida saída da crise mundial. Esse ambiente positivo é estampado em números, pesquisas e entrevistas de personalidades de ponta do mundo empresarial – nem sempre nas manchetes. Veículos de comunicação, outrora apoiadores incondicionais do modelo FMI/neoliberalismo/privatizações/Estado mínimo, agora dão vivas à salvação da economia com recursos que poderiam pôr fim à fome no mundo. Até uma revista semanal que louva ao deus mercado e odeia o governo Lula fez o seguinte registro numa edição recente: “O aumento da participação pública é natural diante de uma crise severa como a atual”.

Como se o acerto na condução do país fosse automático, e não fruto de decisões políticas de quem está no governo. Publicações especializadas em negócios rejubilam-se com a recuperação da Bolsa, a flutuação do câmbio, o crescimento dos empregos, das exportações, do crédito, do comércio. O Brasil vive um crescimento dentro de um marco capitalista, de inclusão social e de consumo de milhões de pessoas que estavam nas zonas de miséria. Para um olhar mais crítico, esse mesmo país vê centenas de novos cidadãos fazer com que seus investimentos virem o primeiro milhão.

Mas há outro Brasil em guerra, principalmente entre os partidos e homens públicos. A cobertura da mídia sobre o Parlamento é tão partidarizada que é difícil distinguir o certo do errado. Os cidadãos são chamados diariamente pelo noticiário não a identificar problemas e construir soluções, mas a alimentar um ódio, parecido talvez com o que se lê nos livros sobre a década de 1950, cujo gesto mais dramático foi o suicídio de Getúlio Vargas. Fazer sangrar o adversário é a meta do PSDB e do DEM de olho nas eleições de 2010. Isso porque estiveram na condição de “situação” ou na chamada “base de apoio do governo no Congresso” desde sempre, até 2006. E quase tudo o que fizeram foi digno de esquecimento – por parte da mídia e de seus próprios anais.

O resultado é o afastamento das novas gerações do campo parlamentar e do interesse público, gerando em muitos aquele velho sentimento exposto em o Analfabeto Político, de Bertold Brecht. Está na hora de construir um pacto a partir do qual situações divergentes sejam tratadas com respeito e cidadania. Para que o processo político estimule as pessoas comuns a participar dos destinos do país, da sua cidade, de seu condomínio. E não para que se desinteressem, como parecem desejar nossos comunicadores, deixando a política apenas para os “interessados”.

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