Carnaval
E para quem gosta
Por: Luciana Ackermann
Publicado em 02/02/2009
Ela, filha de militar rígido, não via televisão nem falava de carnaval em casa. Ele cresceu em meio aos ensaios e rodas de samba – seu pai e sua mãe conheceram-se no bloco Cacique de Ramos. Mesmo vindos de mundos distantes, Rute Alves e Júlio César da Conceição Nascimento esbanjam entrosamento como primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos de Vila Isabel. E dedicam boa parte de suas vidas em busca da perfeição. Aos 15 anos, já sem o pai, Rute foi ao programa de rádio de Zeno Bandeira pedir ajuda para ser porta-bandeira. Arrumou vaga no projeto Manuel Dionísio, onde teve aulas com uma professora de balé clássico e descobriu a elegância da postura e a graciosidade dos movimentos. Está há seis anos na Vila. “Quando menina, eu colocava uma toalha na cabeça, prendia um pano num cabo de vassoura e saía rodopiando pela casa”, lembra.
Com 10 anos, Julinho já arrasava no miudinho. Participou da escola-mirim do Ciep e não parou mais. Aos 16, assumiu a responsabilidade de ser o primeiro mestre-sala. “Nunca esqueci do orgulho e das palavras de meu pai, que morreu no mesmo ano, pouco depois de ter me visto como o primeiro mestre-sala”, conta ele. Um dos sonhos da direção da escola é a construção de uma vila olímpica para usufruto da comunidade de Vila Isabel. A proximidade da agremiação com causas sociais é antiga. No ano passado, procurou a CUT e homenageou os trabalhadores na avenida. A parceria permaneceu e ainda rende frutos, como a reforma da quadra da escola, as oficinas de alfabetização, costura e artesanato – ações de inclusão que dão samba. Neste ano, a escola homenageia o Teatro Municipal do Rio, emblemática casa da cultura do Brasil, que completará 100 anos em julho, sonho de Arthur Azevedo.
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