Você está aqui: Página Inicial / Revista do Brasil / Edição 30 / Em nome da liberdade
Número 30, Dezembro 2008

Em Transe

Em nome da liberdade

É possível viver bem sem Windows e outros softwares proprietários
por Rodrigo Savazoni publicado , última modificação 08/01/2018 12h22
É possível viver bem sem Windows e outros softwares proprietários
divulgação
A Maçã que vale ouro

Entrada da mais badalada loja da Apple, em Nova York

Outro dia um amigo me contou uma história que ouviu de um vendedor da Casas Bahia sobre um computador com preço abaixo de R$ 800, em parcelas mensais de R$ 50, a perder de vista. O vendedor, gente fina, alertou-o que aquele era um computador “com problema” e, solícito, indicou um amigo que “resolve por R$ 40”. O problema era que o computador popular vinha com uma distribuição do Linux, um software livre, e não com o Windows, sistema operacional da Microsoft. Mas será que isso é mesmo problema?

Um computador pessoal, que usamos para escrever mensagens, acessar a internet e papear no Orkut, é composto de hardware e softwares. Hardware é o “corpo” da máquina e softwares são o cérebro e o sistema nervoso, que o fazem funcionar. O software mais importante é o sistema operacional, que ativa “as engrenagens” da máquina e permite entender os comandos que o usuário quer que a máquina execute. Dentro do sistema operacional são instalados os demais softwares, que vão satisfazer as necessidades de seu dono, como o software para escrever textos, para editar fotos, vídeos ou áudios, para enviar e receber e-mails, navegar na internet.

O sistema operacional líder de mercado é o Windows. Mas ele não é a única opção. A Apple, por exemplo, faz hardwares – como os charmosos computadores Macintosh, o iPhone, o iPod – e também produz seu próprio sistema operacional, o Mac OS, preferido de quem trabalha com multimídia e design gráfico.

Para os PCs convencionais, existe um grande número de distribuições de sistemas operacionais baseadas em Linux. E esses softwares têm sido cada vez mais bem-aceitos. Muitos são mais fáceis de instalar que o Windows e não perdem nada em termos de oferta de serviços. Além do mais, são produtos livres, gratuitos e também não se paga nada quando se adquire uma versão mais atualizada.

O melhor de todos é o Ubuntu, cuja última versão é a 8.10 (para fazer o download gratuito basta ir ao site www.ubuntu.com). Desenvolvido por uma comunidade de programadores, ele se destaca porque foi pensado para o uso de gente que não sabe escrever códigos. A palavra Ubuntu, de origem africana, significa “Eu sou o que eu sou porque você é o que é”. Algo que procura estimular os laços entre os seres humanos. Sua instalação demora em torno de 25 minutos.

Outra distribuição bacana é o OpenSuse (www.opensuse.org/pt-br), mantido pela Novell, empresa com quase 30 anos de existência que foi redefinindo sua área de atuação para se concentrar apenas em produtos livres. O Suse dá muita ênfase à parte gráfica, é bonito e oferece recursos para o usuário deixá-lo com a cara que quiser.

No Brasil, a comunidade de desenvolvedores produziu o Kurumin (www.gdhpress.com.br/kurumin). Talvez você já tenha até visto a logomarca com o indiozinho em bancas de jornais, porque sempre há uma versão desse sistema sendo vendida em revistas do ramo. É uma solução nacional, muito bacana.

Quem quiser ter mais opções, pode experimentar o Debian (www.debian.org), o Red Hat (www.redhat.com) ou o Mandriva (www.mandriva.com.br). A lista não pára. Uma busca pela internet pode levar a muitas opções.

O computador que meu amigo queria comprar na Casas Bahia vinha com Linux, o que, evidentemente, não é um problema. Aliás, é preferível usar um software livre a uma versão pirata de Windows, que o amigo dele iria instalar por R$ 40 (no varejo, a versão mais simples do Windows Vista sai por volta de R$ 300 e a distribuição completa chega a R$ 800).

As principais empresas do mercado brasileiro, como Dell e Positivo, não divulgam a composição do preço de um computador. Uma parte é hardware e imposto. Outra é software. É difícil, portanto, descobrir na ponta do lápis quanto se pode poupar de cara ao escolher um software livre. A avaliação deve ser feita caso a caso. A dica é investigar bem antes de escolher o PC e pensar mais ainda antes de investir qualquer quantia em licenças de software proprietário (inclusive porque elas são renováveis todos os anos).

Portanto, se você já é dono de um dos 12,5 milhões de computadores que serão vendidos no Brasil neste ano – ou tem em seu computador uma versão pirata de software proprietário, ou uma versão original em vias de inspirar –, digo por experiência própria: é possível viver bem sem produtos da Microsoft. Logo, você vai descobrir que é muito bom ser livre.

O que é um software livre?

Todo software é escrito em códigos de programação. Livre é aquele que permite a qualquer um ver esse código, o que significa ter a possibilidade de entender como funciona o programa, podendo modificá-lo de acordo com as necessidades do usuário. Como escreve André Deak, “é como se um programa de computador fosse o bolo e o código dele, a sua receita. No software livre, as pessoas têm acesso à receita, o que possibilita que alterem o sabor do bolo como preferir”. No modelo proprietário, as pessoas não têm acesso à receita. A opção pelo software livre permite o desenvolvimento tecnológico e a criação de comunidades voltadas para melhorar os programas em benefício de todos os usuários.

Computação em nuvem

A discussão sobre sistemas operacionais tende a se tornar obsoleta quando falamos de computação em nuvem, tradução do termo em inglês Cloud Computing. Basicamente, estamos falando de colocar tudo o que temos hoje dentro das nossas máquinas em algum lugar da rede, acessível de qualquer lugar, a qualquer hora (pelo computador do trabalho, da lan house, do celular), por você mesmo ou por outras pessoas às quais você dê permissão. É como já ocorre com a maioria das contas de e-mail. Suas mensagens estão armazenadas em um servidor – que você não sabe onde fica – e podem ser acessadas de qualquer máquina, a qualquer hora. A tendência é justamente que isso ocorra com toda a computação. O futuro passa por aí.

Antes livre que pirata

Existem softwares livres e serviços on-line para substituir os produtos proprietários. Nesta tabela, confira algumas dicas para se tornar um ser livre. Quase todos os softwares livres também rodam no Windows. Ou seja, você pode ir se libertando aos poucos
Aplicativos pagos Funcionalidade Alternativo Onde encontrar
Word Editor de texto BrOffice Writer, Google Docs www.broffice.org
http://docs.google.com
Excell Excell Planilhas, cálculos, agendas BrOffice Calc, Google Docs www.broffice.org
http://docs.google.com
Power Point Apresentações/slides BrOffice Impress www.broffice.org
Outlook Organizador de e-mails/compromissos Mozilla Thunderbird http://br.mozdev.org/thunderbird
Pacote Office Todos os produtos de escritório da Microsoft - Word, Excell, Power Point, entre outros BrOffice ou OpenOffice www.broffice.org ou www.openoffice.org
Windows Media Player Tocador de Vídeo VLC Media Player, Miro www.videolan.org/vlc
www.getmiro.com
Internet Explorer Navegador de Internet Mozilla Firefox, Flock http://br.mozdev.org
http://flock.com
Sound Forge Edição de áudio Audacity http://audacity.sourceforge.net
Microsoft Movie Maker Edição de Vídeo Amador Kino, Virtual Dub http://kinodv.org
www.virtualdub.org
Corel Draw, Ilustrator Criação de logos e artes visuais BrOffice Draw www.broffice.org
Photoshop Tratamento de Imagens The Gimp, Picnik (online), Picasa www.gimp.org
www.picnik.com
http://picasa.google.com.br
MSN Microsoft Messenger AIM http://dashboard.aim.com/aim
registrado em: