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Número 27, Agosto 2008

Em Transe

Chegou por aqui o 3G

Falar ao telefone vendo quem está na outra ponta da linha. Navegar na internet com rapidez e baixar arquivos de áudio, vídeo ou texto. Os serviços da terceira geração do celular, a 3G, já estão aí. Mas ainda custam muito caro
por Rodrigo Savazoni publicado , última modificação 22/11/2017 11h41
Falar ao telefone vendo quem está na outra ponta da linha. Navegar na internet com rapidez e baixar arquivos de áudio, vídeo ou texto. Os serviços da terceira geração do celular, a 3G, já estão aí. Mas ainda custam muito caro
divulgação
3g

Em vários lugares do mundo essa tecnologia está mudando razoavelmente a vida das pessoas. Como aponta o pesquisador Fernando Firmino, da Universidade Federal da Bahia, o trabalho é um dos primeiros campos a serem afetados, porque, com o celular permanentemente conectado à internet, quem trabalha acessando a rede pode realizar suas tarefas de qualquer lugar. Em cidades de trânsito caótico, é uma mão na roda.

Outra mudança sensível ocorre no consumo de notícias e entretenimento. Passeando por aí, é possível baixar um vídeo bacana (um DVD inteiro, por exemplo), encontrar aquela música que, de repente, não sai da sua cabeça ou enviar e-mails e ler notícias. Quem chacoalha por horas no ônibus até chegar em casa poderá dedicar o horário do Jornal Nacional aos filhos ou conversar com o marido, porque já se informou usando seu 3G.

O lado ruim da história é que essa tecnologia deve demorar um pouco para chegar às mãos da maioria das pessoas. Na avaliação de Firmino, os custos dos celulares e dos planos das operadoras de telefonia ainda são muito elevados no Brasil. O pesquisador acredita que a opção por um aparelho 3G faz mais sentido para a pessoa cujo trabalho exija o registro de imagens e vídeos, navegação constante na web e outras atividades atreladas à velocidade de transmissão no celular. “Para um usuário comum, que praticamente só utiliza o recurso de voz e não navega na internet regularmente, não compensa manter planos para o 3G”, diz. “O melhor seria esperar baixar mais um pouco, com a demanda, os preços dos aparelhos e dos planos. Então, a pergunta a ser feita é: você realmente pode ou precisa ter um celular 3G? Se sim, compre, porque a experiência é superior.”

Mesmo distante da maioria dos brasileiros, a tecnologia 3G pode ser o principal caminho para a inclusão digital no país. Atualmente, existem cerca de 130 milhões de linhas de celular em operação, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), número três vezes maior que o de pessoas com acesso à internet. Se cada um vier a ter um celular com banda larga, a internet se tornará a mídia de maior alcance no país, superando até a televisão.

Onde tem 3G?

O site Tecnologia 3G reúne boas informações para quem quer entender mais. É feito por gente que quer vender o serviço, mas mesmo assim ajuda bastante. Um dos recursos mais bacanas que oferece é um mapa da tecnologia em todo o país. No endereço www.tecnologia3g.com.br/operadoras.php você descobre se em sua cidade já há cobertura, os custos e como fazer para contratar a banda larga móvel.

A garota sem fio

Bia Kunze é dentista e trabalha como consultora de mídias móveis. Mora em Curitiba. Há cerca de seis anos montou o blog Garota Sem Fio (www.garotasemfio.com.br), para falar sobre sua experiência de ser uma andarilha conectada, que usa a tecnologia para viver de forma diferente. Ela também ajuda outros profissionais a não ficar presos ao escritório, tendência cada vez mais comum em grandes cidades.

Que dicas você daria para quem for comprar hoje um aparelho 3G?
Analisar bem todos os modelos e sistemas operacionais. De preferência, mexer em vários antes de comprar, seja em lojas, seja emprestando de amigos. E decidir que uso se quer fazer dele, para não gastar demais num aparelho subutilizado nem comprar um modelo barato que não supre as necessidades.

Qual o aspecto mais bacana das conexões móveis de alta velocidade?
É poder declarar independência dos computadores de casa ou do escritório e trabalhar ou se divertir onde quiser. Como sou uma profissional itinerante, uso esse tipo de conexão desde 2002. Mas nada comparado ao que temos hoje.

Como uma conexão 3G pode mudar a vida de alguém?
Descobrindo novos modos de trabalhar e novos nichos de mercado só possíveis com a tecnologia móvel. Como no meu caso, atendendo pacientes em domicílio e casas de repouso. Também é um belo meio de encurtar distâncias, quando pessoas que se amam estão longe.

Você, uma TV

A mais fascinante inovação que já encontrei na internet é o site Qik (www.qik.com), serviço de transmissão ao vivo de imagens usando o celular. Você baixa um aplicativo e sai filmando. As imagens produzidas pela TV Você são transmitidas no site da empresa. Seu vídeo fica disponível para consulta no perfil criado por você. Antes, no entanto, de colocar seu chefe grosseiro ao vivo na internet, lembre que os custos são elevados e dependem do pacote que você contratou com sua operadora. Mas com uma conexão 3G ilimitada pode ser fascinante.

Celulares e motoboys

Um dos exemplos de mudança social promovida pelas mídias móveis é o projeto Canal Motoboy (www.zexe.net/SAOPAULO/intro.php?qt=), que reúne um grupo de 12 motoqueiros profissionais para documentar suas andanças em São Paulo, gerando um outro tipo de comunicação. Este trecho, copiado do site, explica a proposta: “As últimas gerações de telefonia celular permitem a publicação imediata na internet de conteúdos multimídia a partir de telefones celulares com câmera integrada. Este contexto possibilita a criação itinerante e remota de canais audiovisuais na internet, prescindindo dos sofisticados e custosos equipamentos de gravação e emissão, como os tradicionalmente usados em televisão”. Ou seja, com um celular 3G, nasce a Motoboy TV.

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