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Número 26, Julho 2008

Carta ao Leitor

Cada cidade um Brasil

por Redação publicado , última modificação 13/11/2017 17h41
João Correia Filho
maura

Maura, da associação dos moradores do Pelourinho, em Salvador: Cidadania não vem de graça

De dois em dois anos abre-se um debate eleitoral que apaixona alguns e afugenta outros. Candidatos e partidos colaboram para a confusão, já que o comum é as disputas assumirem caráter pessoal, de nomes contra nomes, em detrimento de propostas e plataformas. Quando as eleições são para presidente, governador, senador e deputados, a natureza ideológica ainda ganha alguma cor. As últimas, por exemplo, confrontaram projetos diferentes sobre economia, as políticas sociais, as privatizações, papel do Estado etc. Nas eleições municipais, salvo algumas disputas de capitais, os embates tornam-se paroquianos e, ao se travar a escolha de prefeitos e vereadores, a plataforma vai pouco além de um novo viaduto, uma nova praça.

As eleições municipais, entretanto, não poderiam ter uma dimensão mais sintonizada com um projeto maior? O bordão “pensar global e agir localmente”, muito usado, não é efetivamente pouco praticado? Prefeitos e vereadores podem, por exemplo, ter uma conduta decisiva para construir uma nova educação e, com isso, oferecer uma perspectiva para os jovens. Não tem tudo a ver com o futuro do país? Prefeitos e vereadores podem se alinhar com um projeto de nação mais justa, solidária e inclusiva, ampliando o contingente da população com oportunidades de desfrutar a cidadania. Não tem tudo a ver com o futuro do país? Prefeitos e vereadores, numa pequena cidade da Amazônia ou numa grande cidade do Sul, podem fazer diferença na preservação ambiental. Não tem tudo a ver com o futuro do planeta?

Ao olhar para os sem-teto, uma cidade deve responder com grades e concreto lacrando viadutos e praças? Ou aproveitar imóveis em ruínas de seus centros decadentes para compor uma solução habitacional e revitalizante, como mostra reportagem desta edição sobre o Pelourinho, em Salvador?

Para que questões como essas não fiquem sem respostas, algumas iniciativas podem ajudar, como é o caso das pessoas e entidades que se organizam e formam observatórios, cobram metas das prefeituras e acompanham a execução orçamentária (leia matéria à página 10). Nas próximas eleições, cada cidadão pode também buscar respostas para essas questões, refletir sobre sua maneira de votar e, de quebra, contribuir para formar um novo tipo de político.

Por Pasquale Cipro Neto

 

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