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Número 20, Janeiro 2008

Resumo

Carteira assinada

por Paulo Donizetti de Souza e Vitor Nuzzi publicado , última modificação 27/09/2017 13h03
agência brasil
construção

O nível de emprego na construção civil subiu 15% em 2007

De janeiro a novembro de 2007, o emprego com carteira assinada registrou 7% de aumento no país, com a criação de 1,936 milhão de vagas, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego. A indústria cresceu acima da média: 8,3%, e abriu 537 mil postos de trabalho. A construção civil (foto) deu o maior salto: o nível de emprego subiu 15%, com mais de 202 mil vagas formais criadas. A agropecuária atingiu 9,9%, com quase 143 mil novos empregos. A expansão do setor de serviços ficou abaixo da média (5,66%), mas gerou o maior número de postos de trabalho, quase 628 mil. No comércio, a alta foi de 6,08%, com 375 mil vagas. Todos os setores tiveram saldo positivo em todos os estados: só em São Paulo foram 785 mil novos empregos, crescimento de 8,69%.

De olho na CLT

O ano de 2008 promete ser movimentado na área da legislação trabalhista. As centrais sindicais têm compromisso de apresentar propostas sobre sustentação financeira. E na Câmara dos Deputados há um projeto de lei (1.987/07) que propõe uma revisão de normas consideradas obsoletas. O projeto foi tema de encontro entre o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, e o autor da proposta, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP). Para Britto, alterar a legislação trabalhista pode ser o mesmo que “mexer em um vespeiro”. O parlamentar lembrou que o projeto – resultado do trabalho de 21 deputados – não extingue nenhum direito, apenas simplifica a legislação. Um seminário para discutir a proposta já está marcado para 21 de fevereiro. Em maio a CLT completará 65 anos.

Lista suja

A nova edição do cadastro de empregadores que submetem trabalhadores à condição análoga à de escravo, a chamada “lista suja”, publicada no fim do ano, incluiu 13 e retirou sete nomes. Com isso, passou a ter 189 nomes, entre pessoas físicas e jurídicas. O infrator só é incluído após conclusão do processo administrativo, quando os autos de fiscalização não estão mais sujeitos a recursos. Para sair, ele deve passar por um período de monitoramento, que dura dois anos. Desde 1995 mais de 26 mil trabalhadores foram resgatados pelos grupos móveis de fiscalização, que incluem, além do Ministério do Trabalho, o Ministério Público e a Polícia Federal.

De olho em 2010

Lula começa um ano decisivo em suas pretensões de feliz 2010. Ele, que rechaça a tese de terceiro mandato, terá de acertar na condução da própria sucessão com precisão cirúrgica. Se quiser dar seqüência à sua visão de governo, mesmo com outro nome no comando, o presidente depende de uma combinação de acertos: manter o bom momento da economia; fazer andar todos os “PACs” lançados em 2007 (da Educação, da Saúde, da Cultura, da Segurança, além do próprio PAC original, da infra-estrutura); ter uma boa base de aliados saindo-se bem nas eleições municipais. E torcer, ainda, para que o Corinthians, caso não consiga vencer o atalho da Copa do Brasil neste ano, retorne à Série A do Brasileiro no ano que vem para, assim, voltar a sonhar com a Libertadores... em 2010.

Biondi, sempre atual

biondi

“Quarenta e quatro anos de jornalismo, mais de 6 mil textos. Neles, um intenso esforço de traduzir a realidade brasileira, interferir nela, permitir que, com base na informação, os brasileiros se manifestassem sobre os rumos do país.” Assim é apresentado o site organizado, entre outros colaboradores, por Antonio e Pedro Biondi, filhos de Aloysio Biondi. Nascido em Caconde (SP) em 1936, Biondi morreu em 2000, deixando um vazio no jornalismo crítico, mais do que econômico. Sem economês, ele explicava como poucos a conjuntura brasileira. O site – www.aloysiobiondi.com.br – tem três eixos: obra, vida e o projeto O Brasil de Aloysio Biondi, e suas lições de independência e ética no exercício da profissão.

Os ingênuos e o golpe

100anos

O ex-governador e ex-ministro Paulo Egydio Martins resolveu contar a sua versão da história a respeito, principalmente, do período do regime militar – empresário, ele apoiou o golpe para, segundo relata, “evitar o golpe da república sindicalista”. Ao mesmo tempo, ele afirma que os empresários não estavam “preparados” para o que veio depois. “Aí eu tenho que reconhecer que nós, civis, fomos completamente ingênuos. Não tínhamos noção de que havia grupos dentro do Exército que já planejavam manter o domínio do país, num regime militar, por mais tempo”, afirma, em seu depoimento a pesquisadores da Fundação Getulio Vargas, que resultou no livro Paulo Egydio Conta. Em 1975, antes de tomar posse como governador de São Paulo, ele deu posse ao então novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema: Luiz Inácio da Silva, o Lula. 

Rio de lágrimas

Rio de lágrimas

A polêmica integração de águas da bacia do Rio São Francisco (na foto, quando passa por Ibotirama-BA) tem as proporções do terceiro maior rio do país: existe há um século e meio, desde Pedro II. De lá para cá o Velho Chico foi vítima de um mar de degradação – povoamento desordenado em suas margens, barragens assassinas da biodiversidade fluvial, despejo de detritos, com destaque para o esgoto jorrando impunemente desde Belo Horizonte. Com o projeto de transposição saído do papel – e com ele o de revitalização –, ainda sobram emoções, inclusive de natureza política, e incertezas. Não existe convicção nem de que haverá estragos ambientais irreparáveis, nem de que a obra é de fato a melhor solução para levar água o bastante à população do Semi-Árido nordestino. O ambiente democrático poderia ser aproveitado e produzir um debate mais intenso e esclarecedor. Talvez se pudesse depurar se o jejum do bispo dom Luiz Flávio Cappio e as lágrimas de Letícia Sabatella são justas; se a amplitude da obra é mesmo a solução mais racional. Ou se não há exageros em ambos os lados.

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