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Poesia no cardápio do Bar do Zé Batidão

Conhecido na periferia sul de São Paulo por abrigar o Sarau da Cooperifa, o bar promove projeto que estimula, por meio da poesia, o gosto das crianças pelo aprendizado
por Redação RBA publicado 13/06/2015 16h16
Conhecido na periferia sul de São Paulo por abrigar o Sarau da Cooperifa, o bar promove projeto que estimula, por meio da poesia, o gosto das crianças pelo aprendizado
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Sarau

O Projeto alcança 120 crianças e adolescentes do ensino fundamental do M’Boi Mirim

O bar está lá na zona sul de São Paulo. Há 13 anos, ficou famoso por receber semanalmente poetas, escritores e interessados por literatura no Sarau da Cooperifa. Agora, o espaço se abriu também para crianças exercerem atividades extracurriculares, tendo a poesia como impulso. Idealizado por José Cláudio Rocha, o Zé Batidão, o projeto Pequenos Aprendizes alcança 120 crianças e adolescentes do ensino fundamental do M’Boi Mirim, no extremo sul da capital paulista.

Zé Batidão tem 65 anos e era analfabeto até os 17. Sua família, como ele conta, vivia em situação de semiescravidão. Trabalhava em troca de comida, numa fazenda em Minas Gerais. Segundo ele, a ideia do projeto surgiu da convivência com as crianças do bairro, ao notar dificuldades de aprendizado.

“Tinha meninos de 10, 12 anos que vinham perguntar as horas para mim porque não sabiam olhar o relógio.” Escrevendo a poesia com o próprio punho e pegando intimidade com o microfone, elas se soltam, desenvolvem a leitura e revelam aos educadores um pouco mais de si mesmas. “Queira ou não, com vergonha ou sem vergonha, na poesia, elas revelam alguma coisinha que sentem”, constata.

“A poesia representa para mim um ponto de refúgio. Quando estou estressado, cansado, com a mente carregada, busco na poesia coisas que me fazem refletir, pensar”, define Erlan Henrique, de 14 anos, enquanto descreve sua predileção por Carlos Drummond de Andrade e Cora Coralina e declama um trecho de Para Sempre, de Drummond: “Fosse eu rei do mundo/ Baixava uma lei:/ Mãe não morre nunca...”

Zé Batidão se diz orgulhoso pela iniciativa. “Estou fazendo a minha parte, e não é nada demais. Eu acho que se todo mundo fizesse um pouquinho, o país seria outro.” O menino Erlan concorda. Para ele, a possibilidade oferecida aos jovens de se soltar para o aprendizado por meio da poesia é também uma oportunidade de “aprofundar cada um na sua cultura”.

Reportagem de Jô Miyagui para o Seu Jornal, que vai ar pela TVT de segunda a sexta-feira, às 19h